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Início » PSD Apresenta Novas Provas ao STJ de Uso Político da Polícia do Rio Contra Eduardo Paes
Política

PSD Apresenta Novas Provas ao STJ de Uso Político da Polícia do Rio Contra Eduardo Paes

Diego VelázquezPor Diego Velázquezmaio 27, 2026Nenhum comentário5 Mins de leitura3 Views
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A crise política e institucional que envolve o governo do Rio de Janeiro e a prefeitura da capital ganhou um novo capítulo grave. O Partido Social Democrático apresentou ao Superior Tribunal de Justiça, no dia 26 de maio de 2026, um conjunto de novas provas apontando que o ex-governador Cláudio Castro, o ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi e o delegado Pedro Cassundé teriam manipulado o sistema de Justiça com o objetivo de prejudicar politicamente o prefeito do Rio, Eduardo Paes. O episódio reacende o debate sobre os limites entre investigação legítima e instrumentalização das instituições para fins eleitorais, numa disputa que já contamina o ambiente político fluminense às vésperas das eleições de outubro.

O Que o PSD Apresentou ao STJ

A nova manifestação do PSD ao STJ não parte do zero. Em março de 2026, o partido já havia protocolado uma representação criminal formal, assinada pelo deputado federal Pedro Paulo, presidente do diretório estadual, apontando que Castro, Curi e Cassundé poderiam ter cometido crimes de abuso de autoridade, prevaricação, denunciação caluniosa, fraude processual, violação de sigilo funcional e participação em organização criminosa. O pedido incluía a abertura de inquérito e o afastamento preventivo dos acusados de seus cargos.

O que o partido trouxe agora são elementos concretos que reforçam essa tese. Entre os abusos detalhados, o mais revelador envolve o delegado Cassundé diretamente. Segundo o PSD, ele expediu mandados de condução coercitiva contra pessoas próximas ao vereador Salvino Oliveira, do próprio partido, que fora preso em março durante a Operação Contenção Red Legacy. Entre os convocados estavam os avós do parlamentar e o pastor de sua igreja, todos submetidos à ameaça do crime de desobediência caso não comparecessem. No caso do pastor, a situação é ainda mais séria: a acusação indica que o delegado adulterou o termo de declaração para fazer constar que o depoimento foi voluntário, quando na realidade não foi.

Esse tipo de conduta, se comprovada, configura não apenas irregularidade processual, mas uma estratégia deliberada de pressão e constrangimento sobre o entorno de um adversário político.

O Contexto Eleitoral e a Disputa pelo Palácio Guanabara

Para entender a gravidade das acusações, é preciso considerar o cenário político em que elas se inserem. Eduardo Paes é o principal pré-candidato da oposição ao governo do Estado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Cláudio Castro, que renunciou ao cargo de governador em março deste ano, integra o grupo político do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que busca manter o controle do Palácio Guanabara desde 2019.

A prisão do vereador Salvino Oliveira, ex-secretário municipal na gestão Paes, foi o estopim da crise. Para o PSD, a operação policial não foi conduzida com isenção técnica, mas como instrumento de pressão sobre o campo político adversário. O partido sustenta que o objetivo era associar Paes ao crime organizado na opinião pública, em plena corrida eleitoral, repetindo um padrão que, segundo a legenda, já ocorreu em eleições anteriores.

Não por acaso, a representação ao STJ menciona episódios das eleições de 2018 e 2020, quando delegados tentaram forjar acusações contra o então candidato Eduardo Paes. O documento aponta ainda o papel do ex-juiz Marcelo Bretas, que compartilhou informações sigilosas para prejudicar Paes e garantir a eleição de Wilson Witzel em 2018. Witzel foi posteriormente cassado por corrupção. Bretas foi aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça em 2025 pelos abusos cometidos.

A Versão do Governo e o Peso das Instituições

O governo do Estado respondeu às acusações com uma linha de defesa centrada no rito processual. Segundo a nota oficial, a investigação que resultou na prisão de Salvino teve início em outubro de 2024, passou pelo Ministério Público e recebeu autorização judicial antes de resultar em mandados. Para os aliados de Castro, a crise não passou de uma tentativa de Paes de politizar uma investigação conduzida dentro da legalidade.

Esse argumento, contudo, não responde às acusações específicas sobre o comportamento do delegado Cassundé. O problema levantado pelo PSD não é apenas a prisão em si, mas as supostas irregularidades na condução da investigação: a coação de familiares, a manipulação de documentos e a divulgação de informações sigilosas nas redes sociais pelos próprios agentes públicos, o que, segundo a acusação, foi feito para antecipar a atribuição de culpa ao vereador antes mesmo de qualquer julgamento.

O Que Está em Jogo

O caso que o PSD leva ao STJ vai além de uma disputa entre partidos ou candidatos. Ele toca num ponto sensível da democracia brasileira: a independência das forças de segurança em relação ao poder político que as comanda. Quando a Polícia Civil de um estado age seletivamente, coage testemunhas e vaza informações com fins eleitorais, o dano à confiança nas instituições é profundo e duradouro.

A Justiça brasileira já respondeu com rigor a casos similares no passado, como mostram as cassações de Witzel e de Bretas. O precedente existe. O que resta saber agora é se o STJ reconhecerá nas novas provas apresentadas pelo PSD elementos suficientes para avançar nas investigações e, se for o caso, responsabilizar quem usou o aparato do Estado como arma eleitoral.

Autor: Diego Velázquez

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