Close Menu
  • Home
  • Notícias
  • Política
  • Brasil
  • Tecnologia
  • Sobre Nós
Facebook X (Twitter) Instagram
Instagram
Portal TribunaPortal Tribuna
  • Home
  • Notícias
  • Política
  • Brasil
  • Tecnologia
  • Sobre Nós
Portal TribunaPortal Tribuna
Início » Vereador Condenado por Violência Política de Gênero no Tocantins: O Caso que Expõe uma Prática Estrutural
Política

Vereador Condenado por Violência Política de Gênero no Tocantins: O Caso que Expõe uma Prática Estrutural

Diego VelázquezPor Diego Velázquezjunho 1, 2026Nenhum comentário4 Mins de leitura5 Views
Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email
Compartilhar
Facebook Twitter LinkedIn Pinterest WhatsApp Email

A condenação de um vereador do Tocantins por violência política de gênero voltou a colocar em debate um problema que vai muito além dos limites de um município: a intimidação sistemática de mulheres que ousam disputar espaço no campo político brasileiro. Este artigo analisa o caso de Jefferson Chokito, os métodos utilizados para afastar candidatas da disputa eleitoral de 2024, o que a sentença representa no contexto jurídico nacional e por que casos como esse revelam a face mais silenciosa, porém devastadora, da violência contra mulheres na política.

O vice-presidente da Câmara de Colinas do Tocantins, Jefferson Bandeira da Costa Silva, conhecido como Chokito, foi condenado por violência política de gênero em decisão proferida pela 4ª Zona Eleitoral. A ação, movida pelo Ministério Público Eleitoral, o acusa de forçar a renúncia de candidatas do Partido Renovação Democrática, Franciene Moreira Rocha e Deusina da Costa Sobrinho, durante o processo eleitoral de 2024.

O que torna o caso particularmente grave não é apenas a natureza da acusação, mas a metodologia descrita na sentença. Por meio de abordagens insistentes, o parlamentar teria oferecido subornos de até dez mil reais, prometido cargos comissionados, empregos para parentes e até custeado passagens para que uma das candidatas permanecesse fora do município durante a campanha. O objetivo era um só: retirar mulheres da disputa, utilizando pressão econômica e manipulação como instrumentos de controle político.

A Justiça Eleitoral foi precisa ao caracterizar o comportamento. Segundo a decisão, o parlamentar assediou, constrangeu, humilhou, perseguiu e ameaçou as vítimas mediante pressão psicológica implacável, imposição de ultimatos e exibição ostensiva de termos de renúncia já assinados por terceiros, com o objetivo de incutir nelas o pânico do isolamento político. O magistrado ainda destacou que o vereador teria discriminado as candidatas ao focar o ataque na cota feminina da chapa adversária, enxergando-as não como sujeitos de direitos políticos dotados de plena autonomia, mas como elos frágeis e mercadorias baratas a serem cooptadas ou intimidadas pelo poderio econômico e estrutural.

A linguagem da sentença é reveladora. Quando um juiz emprega termos como “mercadorias baratas” para descrever a visão que o acusado tinha das candidatas, está documentando algo que pesquisadoras e militantes denunciam há décadas: a lógica patriarcal que trata a presença feminina na política como concessão provisória, negociável e descartável. Não se trata de um desvio isolado de conduta. Trata-se de um padrão.

A condenação estabeleceu pena privativa de liberdade de três anos, um mês e dez dias de reclusão em regime inicial aberto, além de multa. O vereador pode recorrer da decisão em liberdade. Diante da repercussão, o parlamentar manifestou-se nas redes sociais afirmando estar com a cabeça tranquila por entender não haver materialidade na acusação, sustentando que os fatos teriam sido invertidos. A postura defensiva, embora juridicamente compreensível, contrasta com o nível de detalhamento e fundamentação da sentença.

O partido ao qual o vereador é filiado, os Republicanos, declarou não apoiar qualquer forma de violência política ou de gênero e informou que tomará as medidas previstas em seu estatuto após ser formalmente comunicado da decisão. A Câmara Municipal de Colinas, por sua vez, informou que tomou conhecimento da sentença e que aguarda a finalização do processo para adotar as medidas cabíveis. Ambas as respostas institucionais seguem o roteiro habitual: aguardar, processar, adiar.

O problema dessa postura é que o tempo institucional raramente coincide com o tempo das vítimas. As candidatas intimidadas em 2024 já perderam uma eleição. O dano político e psicológico causado pela coerção não é reparado por uma sentença futura. É justamente por isso que a tipificação da violência política de gênero no Código Eleitoral representa um avanço estrutural: ela nomeia, classifica e pune uma prática que antes encontrava lacunas legais para se perpetuar.

O caso de Colinas do Tocantins não é exceção. É o retrato de uma disputa que ocorre em municípios de todos os tamanhos, com variações de método, mas com uma constante perturbadora: a resistência organizada à presença feminina nos espaços de poder. Cada condenação nesse terreno não encerra o problema, mas firma o precedente de que a democracia representativa, para ser legítima, precisa ser também igualitária na prática, e não apenas no discurso.

Autor: Diego Velázquez

Post Views: 132
Compartilhar. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email
Artigo anteriorMedidas Protetivas para Mulheres Batem Recorde no Brasil em 2026: O Que os Números Revelam
Próximo artigo Programa Conecta do CNJ: O Novo Edital que Pode Transformar a Tecnologia no Judiciário Brasileiro
Diego Velázquez
Diego Velázquez
  • Website

Leia também

Reforma do Sistema de Justiça e o Caminho para a Redivisão da Confiança Institucional

junho 11, 2026

Segurança Cibernética nas Eleições 2026: O Que Muda com a Nova Política do TSE

junho 10, 2026

TSE e Defensorias Públicas: O Pacto que Pode Mudar o Acesso à Justiça Eleitoral no Brasil

junho 9, 2026

Os comentários estão desativados.

Trending

Casas inteligentes e tecnologia: novas tendências chegando ao interior

novembro 19, 2025

 Transforme suas finanças: dicas infalíveis para empreendedores de sucesso!

fevereiro 24, 2025

Descubra como a construção modular está revolucionando a engenharia civil e reduzindo custos 

maio 6, 2025

Esquema de lavagem de dinheiro em Sidrolândia expõe desafios no combate ao crime financeiro no Brasil

fevereiro 26, 2026

Mergulhe no universo das notícias com Portal Tribuna. Aqui você encontra análises aprofundadas sobre política, as últimas tendências em tecnologia, curiosidades sobre diferentes lugares e muito mais. Seja bem-vindo ao seu novo feed de notícias!

MC Poze Solto pela Justiça: O Que a Operação Narco Fluxo Revela Sobre Dinheiro, Entretenimento e Impunidade

maio 15, 2026

Advogadas vítimas de violência terão prioridade nos julgamentos do TST: impacto na Justiça do Trabalho e na proteção profissional feminina

abril 23, 2026
Portal Tribuna - [email protected] - tel.(11)91754-6532
  • Home
  • Notícias
  • Contato
  • Quem Faz
  • Sobre Nós

Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.