A tecnologia aplicada à inclusão tem redefinido a forma como o cidadão acessa serviços públicos no Brasil. No Judiciário catarinense, esse movimento ganha destaque ao ampliar a acessibilidade e promover uma Justiça mais democrática. Este artigo analisa como a inovação tecnológica no Tribunal de Justiça de Santa Catarina fortalece a inclusão, melhora a experiência do usuário e contribui para uma atuação institucional mais eficiente e humanizada.
A transformação digital no setor público deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma necessidade estratégica. No âmbito do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a adoção de ferramentas voltadas à acessibilidade demonstra que inovação não significa apenas automatizar processos, mas garantir que todos tenham condições reais de participação. A inclusão, nesse contexto, passa a ser elemento estruturante e não mero complemento institucional.
A acessibilidade na Justiça envolve muito mais do que adaptações físicas em prédios públicos. Ela abrange recursos tecnológicos capazes de atender pessoas com deficiência auditiva, visual, motora ou intelectual, além de cidadãos com dificuldades temporárias ou limitações de acesso à informação. Plataformas digitais com leitores de tela compatíveis, conteúdos em linguagem simples e ferramentas de comunicação adaptadas são exemplos de medidas que reduzem barreiras históricas.
Ao investir em tecnologia inclusiva, o Judiciário catarinense sinaliza que a prestação jurisdicional precisa acompanhar as transformações sociais. A digitalização de processos, quando aliada a soluções acessíveis, amplia o alcance da Justiça. Pessoas que antes enfrentavam obstáculos para comparecer fisicamente a fóruns ou compreender procedimentos legais passam a ter meios mais claros e eficientes de interação com o sistema.
Esse avanço também impacta diretamente a transparência institucional. Sistemas mais intuitivos e adaptados favorecem o entendimento de informações processuais, decisões judiciais e serviços oferecidos ao público. Quando o cidadão compreende melhor seus direitos e os caminhos disponíveis para exercê-los, fortalece-se o próprio Estado Democrático de Direito.
Outro ponto relevante está na humanização do atendimento. A tecnologia inclusiva não substitui o contato humano, mas o qualifica. Ferramentas digitais bem estruturadas permitem que servidores concentrem esforços em demandas mais complexas, enquanto plataformas automatizadas garantem acesso rápido a informações básicas. Esse equilíbrio resulta em um serviço público mais eficiente e menos burocrático.
No cenário contemporâneo, falar em acessibilidade digital no Judiciário também significa discutir responsabilidade social. O acesso à Justiça é um direito fundamental, e qualquer barreira tecnológica representa uma forma indireta de exclusão. Ao implementar soluções voltadas à inclusão, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina demonstra alinhamento com princípios constitucionais de igualdade e dignidade da pessoa humana.
A inovação tecnológica, quando pensada sob a ótica da inclusão, também contribui para a redução de desigualdades regionais. Santa Catarina possui municípios com diferentes níveis de infraestrutura e conectividade. A expansão de serviços digitais acessíveis permite que cidadãos de localidades mais distantes tenham acesso semelhante ao de quem vive nos grandes centros urbanos. Isso amplia a capilaridade do Judiciário e fortalece sua presença institucional.
Além disso, a adoção de práticas inclusivas fortalece a imagem do tribunal perante a sociedade. Em um ambiente onde a confiança nas instituições públicas é constantemente desafiada, iniciativas que priorizam a acessibilidade reforçam o compromisso com a cidadania. A tecnologia, nesse caso, atua como ponte entre o sistema de Justiça e a população, aproximando estruturas formais das necessidades reais das pessoas.
Do ponto de vista estratégico, a integração entre tecnologia e inclusão também prepara o Judiciário para o futuro. O avanço da inteligência artificial, das plataformas digitais e dos serviços remotos exige planejamento orientado por critérios éticos e sociais. Implementar soluções acessíveis desde o início evita retrabalho, reduz custos e garante que a inovação não crie novas barreiras.
Outro aspecto importante é a capacitação interna. A tecnologia inclusiva só produz resultados concretos quando servidores e magistrados compreendem sua relevância e sabem utilizá-la adequadamente. Investir em treinamento e cultura organizacional voltada à inclusão consolida a transformação digital como política institucional permanente.
A experiência catarinense indica que acessibilidade não deve ser tratada como projeto isolado, mas como princípio transversal. Quando a inclusão orienta decisões tecnológicas, a Justiça torna-se mais próxima, transparente e eficaz. O impacto ultrapassa o ambiente jurídico e repercute na percepção social de que o sistema está atento às necessidades de todos.
O fortalecimento da acessibilidade digital no Judiciário de Santa Catarina revela uma mudança de mentalidade. A tecnologia deixa de ser apenas instrumento operacional e passa a representar compromisso com equidade. Ao integrar inovação e inclusão, o tribunal contribui para uma Justiça mais moderna e socialmente responsável, capaz de atender às demandas de uma sociedade plural e em constante transformação.
Autor : Mondchet Thonytom

