Levantamentos divulgados em 31 de agosto apontam mudanças na corrida presidencial e mostram que a disputa ainda está aberta.
A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo elemento de interesse nesta segunda-feira (31), com a divulgação de pesquisas que mostram mudanças na posição dos principais candidatos. O levantamento BTG/Nexus colocou Luiz Inácio Lula da Silva na liderança do primeiro turno, com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%, enquanto Augusto Cury apareceu com 11% e passou a ocupar isoladamente a terceira posição. Na pesquisa AtlasIntel divulgada no mesmo dia, Lula também lidera, com 43,4%, enquanto Flávio registra 33,7% e Cury chega a 7,8%. (Nexus)
A diferença entre os levantamentos é importante porque mostra que uma pesquisa isolada não determina o resultado da eleição. Ao mesmo tempo, os números ajudam a identificar movimentos que merecem atenção, especialmente o crescimento de Cury e a manutenção de uma disputa competitiva entre Lula e Flávio. A principal dúvida para o eleitor, portanto, não é apenas quem aparece em primeiro lugar, mas o que essas mudanças revelam sobre o comportamento do eleitorado e sobre os caminhos que a campanha pode tomar nas próximas semanas.
O que mudou nas pesquisas presidenciais de 2026
O dado mais chamativo da pesquisa BTG/Nexus é a ascensão de Augusto Cury. Na rodada anterior, o candidato do Avante aparecia com 2% em um dos cenários, enquanto agora alcançou 11%, um crescimento de nove pontos percentuais. No mesmo levantamento, Lula passou de 41% para 39% e Flávio Bolsonaro caiu de 37% para 33%, fazendo com que a vantagem do presidente sobre o senador aumentasse de quatro para seis pontos. (Nexus)
O resultado merece atenção porque Cury passa a ocupar uma faixa eleitoral diferente daquela observada anteriormente. Até então, a disputa aparecia mais concentrada nos dois principais polos políticos, enquanto candidatos intermediários registravam percentuais menores. A nova fotografia sugere que existe espaço para uma candidatura que tente dialogar com eleitores que não estejam plenamente identificados com os dois grupos predominantes. Isso não significa, porém, que os 11% estejam necessariamente consolidados ou que o candidato tenha garantido uma posição permanente no cenário. Pesquisas eleitorais medem um momento específico e podem sofrer alterações conforme debates, propaganda, alianças, exposição pública e acontecimentos de campanha.
A pesquisa AtlasIntel reforça a existência de movimento, mas apresenta números diferentes. Nesse levantamento, Lula aparece com 43,4%, Flávio Bolsonaro com 33,7%, Augusto Cury com 7,8% e Renan Santos com 7,6%, configurando empate técnico entre os dois últimos dentro da margem de erro de um ponto percentual. A sondagem ouviu 5.014 eleitores entre 25 e 30 de agosto e foi registrada no TSE sob o número BR-07972/2026. (UOL Notícias)
A diferença entre BTG/Nexus e AtlasIntel não deve ser interpretada automaticamente como contradição. Os institutos utilizam metodologias, amostras e períodos de coleta diferentes, o que pode produzir fotografias distintas de um eleitorado que está em movimento. O levantamento BTG/Nexus entrevistou 2.005 pessoas por telefone entre 28 e 30 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. (Nexus)
Para o eleitor, esse detalhe é fundamental. Comparar pesquisas exige observar a data da coleta, o método utilizado, o tamanho da amostra, a margem de erro, o cenário apresentado e o registro no Tribunal Superior Eleitoral, em vez de simplesmente comparar percentuais publicados nas redes sociais.
Por que Augusto Cury virou um personagem importante da disputa
O crescimento de Augusto Cury é talvez o principal elemento novo das pesquisas divulgadas nesta segunda-feira. No levantamento BTG/Nexus, ele chegou a dois dígitos e passou a aparecer distante dos demais candidatos que disputam a terceira posição. A pesquisa também indica que a consolidação do voto ainda não é igual entre todos os candidatos: 78% dos entrevistados que escolheram algum nome afirmaram que a decisão já está tomada, enquanto 21% disseram que ainda podem mudar de opção. Entre os eleitores de Cury, 59% consideram o voto definido. (Nexus)
Isso ajuda a entender por que o crescimento de um candidato não deve ser tratado como resultado definitivo. Uma parcela significativa dos eleitores ainda pode mudar de preferência, especialmente em uma eleição na qual debates, programas eleitorais, entrevistas e alianças podem alterar a percepção pública. O crescimento também coloca Cury diante de um desafio diferente: transformar visibilidade em estrutura eleitoral, ampliar reconhecimento fora dos grupos que já o conhecem e apresentar propostas capazes de sustentar a preferência conquistada. A partir desse ponto, cada nova pesquisa será observada com atenção para verificar se o avanço foi pontual ou se representa uma tendência.
Outro aspecto relevante é que os números aparecem em um momento de campanha eleitoral cada vez mais intenso. A disputa deixa de ser apenas uma apresentação de candidaturas e passa a envolver estratégias de comunicação, ataques políticos, defesa de propostas e tentativa de conquistar eleitores que ainda não decidiram definitivamente. Nesse ambiente, uma candidatura que cresce rapidamente pode alterar a estratégia dos adversários, mesmo que ainda esteja distante da liderança. O efeito pode aparecer tanto na distribuição de tempo e recursos de campanha quanto na forma como os candidatos passam a abordar determinados temas.
A ascensão de Cury também é um sinal de que a polarização não necessariamente elimina outras opções. Lula e Flávio continuam concentrando as maiores parcelas das intenções de voto nas duas pesquisas, mas a presença de candidatos competitivos abaixo deles indica que existe um eleitorado disposto a considerar alternativas. Esse grupo pode se tornar especialmente importante caso a disputa pelo segundo turno permaneça apertada.
O que os números dizem sobre um possível segundo turno
O cenário de segundo turno apresentado pela pesquisa BTG/Nexus mostra uma disputa muito mais equilibrada do que a fotografia do primeiro turno. Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 46%, enquanto o senador registra 45%, resultado que permanece dentro de uma situação de forte proximidade eleitoral. (Nexus)
Essa diferença ajuda a explicar por que a liderança no primeiro turno não pode ser confundida com vitória garantida. O primeiro turno mede a distribuição de votos entre vários candidatos, enquanto uma segunda rodada concentra a escolha em apenas dois nomes. Nesse processo, candidatos eliminados deixam de disputar diretamente e seus eleitores passam a ser disputados pelos finalistas, além de existir a possibilidade de mudança de comportamento entre aqueles que inicialmente optaram por outros nomes.
A situação também mostra a importância do voto ainda não consolidado. Mesmo com a maioria dos eleitores declarando que já decidiu sua escolha, uma parcela relevante permanece aberta a mudanças. Em uma eleição presidencial, pequenas movimentações podem ganhar peso quando os candidatos estão próximos e quando uma parte significativa do eleitorado decide o voto nas etapas finais da campanha.
Para o cidadão, portanto, a leitura mais segura das pesquisas é observar tendências e não transformar números momentâneos em previsões definitivas. O eleitor também precisa diferenciar intenção de voto de resultado eleitoral, além de verificar se determinado levantamento foi registrado e conhecer sua metodologia. O próprio fato de BTG/Nexus e AtlasIntel apresentarem percentuais diferentes reforça a necessidade de acompanhar uma série de pesquisas, e não apenas aquela que confirma uma preferência política.
A disputa de 2026 entra, assim, em uma fase na qual cada movimento pode ter impacto maior sobre a estratégia dos candidatos. Lula permanece na liderança nos dois levantamentos divulgados nesta segunda-feira, Flávio Bolsonaro aparece em segundo e Augusto Cury surge como o nome que mais cresceu no período. Ainda assim, nenhuma dessas posições pode ser tratada como definitiva antes da votação.
O dado mais relevante talvez seja justamente a combinação entre liderança e incerteza. Há uma vantagem no primeiro turno para Lula, mas o cenário de segundo turno indicado pela BTG/Nexus é praticamente equilibrado, enquanto a ascensão de Cury acrescenta uma nova variável à disputa. Para quem acompanha a eleição, o melhor indicador nas próximas semanas será saber se essas mudanças se repetem em diferentes institutos e se o eleitorado mantém ou modifica suas escolhas. Em uma eleição marcada por forte polarização, compreender essas nuances será tão importante quanto acompanhar quem aparece no topo de cada pesquisa.

