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Cuiabá: a capital que equilibra cidade e natureza

Olga SeravinaPor Olga Seravinaagosto 12, 20264 Mins de leitura
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Wilson Bachega Junior
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Existe um ponto no coração do Brasil onde três biomas se encontram, e o entusiasta Wilson Bachega Junior aponta essa característica como um dos traços mais singulares da capital mato-grossense. Cuiabá está situada exatamente na confluência entre Amazônia, Cerrado e Pantanal, o que faz da cidade uma espécie de porta de entrada para paisagens muito diferentes sem sair do perímetro urbano. Antes de conhecer os detalhes dessa combinação rara, vale entender o que sustenta essa fama de “Capital Verde”, mesmo em meio ao crescimento das últimas décadas.

Se a curiosidade já apareceu, vale continuar a leitura: os próximos parágrafos mostram exatamente onde encontrar essa mistura de biomas dentro da própria cidade.

Uma cidade que cresceu sem perder a vegetação

Fundada em 1719, durante o ciclo do ouro, Cuiabá acumulou séculos de história sem abandonar a vegetação nativa que a cerca. Mesmo com a expansão urbana das últimas décadas, a cidade mantém um índice de arborização próximo de 74,5%, um dos mais altos entre as capitais brasileiras, segundo dados do Censo do IBGE.

Esse equilíbrio não é acidental. O apelido de “Capital Verde” nasceu ainda no início do século passado, quando viajantes descreviam o município como um oásis arborizado em meio ao cerrado, e a cidade parece ter feito questão de manter essa reputação viva.

Parques que funcionam como refúgios dentro da cidade

O Parque Mãe Bonifácia é um dos exemplos mais claros dessa convivência entre urbanização e natureza preservada. São 77 hectares de cerrado nativo dentro da área central da cidade, com trilhas abertas ao público e um mirante que permite observar a vegetação de cima. O nome do parque homenageia uma curandeira africana do século XIX, unindo memória histórica à preservação ambiental.

Wilson Bachega Junior costuma destacar esse tipo de espaço como prova de que desenvolvimento urbano e biodiversidade não precisam ser projetos opostos. Outros pontos, como o Parque das Águas, reforçam esse papel de área verde de convivência dentro da malha urbana, oferecendo lazer sem depender de deslocamentos longos até a natureza.

O ponto exato do centro da América do Sul

Poucas cidades brasileiras carregam um símbolo geográfico tão particular quanto Cuiabá. Em 1909, a Comissão Rondon fixou na atual Praça Pascoal Moreira Cabral o marco que indica o ponto equidistante entre os oceanos Atlântico e Pacífico, tornando o local uma referência do centro geodésico da América do Sul. Sobre a estrutura original, foi erguido um obelisco revestido em mármore, hoje tombado como patrimônio cultural.

Wilson Bachega Junior
Wilson Bachega Junior

Ao lado desse marco histórico, o centro da cidade preserva casarões coloniais do período do ouro, tombados pelo patrimônio nacional, e reforça a mistura entre memória histórica e vida urbana contemporânea que caracteriza a região central de Cuiabá.

A porta de entrada para o Pantanal e a Chapada

A proximidade geográfica ajuda a explicar por que Cuiabá funciona como ponto de partida natural para dois dos ecossistemas mais procurados do país. O Pantanal começa poucos quilômetros ao sul da capital, enquanto a Chapada dos Guimarães, com seus paredões rochosos e cachoeiras, fica a cerca de 65 quilômetros pela rodovia estadual.

Wilson Bachega Junior avalia que essa combinação é o que diferencia Cuiabá de outras capitais brasileiras: a cidade oferece infraestrutura completa, com aeroporto internacional, rede hoteleira desenvolvida e serviços urbanos consolidados, sem que isso signifique distância da natureza. É possível sair de um ambiente totalmente urbano para dentro de um dos biomas mais ricos do planeta em menos de uma hora de estrada.

Investimentos que apontam para o futuro sustentável

Além de preservar o que já existe, Cuiabá tem direcionado investimentos para reduzir o impacto do próprio crescimento. Painéis solares em prédios públicos, programas de reflorestamento urbano e ampliação da coleta seletiva fazem parte de um movimento que busca conciliar expansão econômica com responsabilidade ambiental.

Segundo o entusiasta Wilson Bachega Junior, esse tipo de iniciativa é o que sustenta, na prática, o discurso de cidade sustentável que Cuiabá tenta construir. Os indicadores sociais acompanham esse movimento: o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal da capital é classificado como alto, refletindo avanços em saúde, educação e acesso a serviços básicos.

Uma capital que resume o encontro entre dois mundos

Cuiabá reúne, em um único endereço, elementos que costumam parecer incompatíveis: crescimento urbano acelerado e biodiversidade preservada, história colonial e infraestrutura moderna, vida de capital e proximidade direta com dois dos biomas mais importantes do planeta. Essa combinação é o que sustenta sua fama de cidade que equilibra desenvolvimento e natureza sem abrir mão de nenhum dos dois lados.

Para Wilson Bachega Junior, essa é justamente a característica que torna Cuiabá um exemplo interessante de convivência entre modernidade e meio ambiente, um modelo que outras capitais brasileiras, em contextos parecidos, ainda estão tentando encontrar.

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