O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues acompanha com interesse um estudo multicêntrico internacional publicado em 2012, com cerca de 900 nódulos de mama, que avaliou o acréscimo da elastografia à ultrassonografia convencional. Os resultados mostraram que a técnica ajudou a reclassificar parte das lesões de baixa suspeita, com potencial para reduzir biópsias desnecessárias sem perder diagnósticos de câncer. A elastografia representa uma tendência do diagnóstico por imagem: somar à forma dos nódulos uma informação sobre sua consistência.
Uma ideia antiga com tecnologia nova
A rigidez sempre foi uma pista no exame das mamas. Durante a palpação, médicos observam que nódulos malignos tendem a ser mais duros e fixos, enquanto lesões benignas costumam ser mais macias e móveis. A elastografia transforma essa percepção em uma medida feita pelo aparelho de ultrassom.
Os tumores malignos alteram o tecido ao redor e tornam a região mais rígida. Lesões benignas, como fibroadenomas e cistos, geralmente se deformam com mais facilidade. Medir essa diferença acrescenta uma camada de informação às características que a ultrassonografia já avalia, como formato, contornos e orientação do nódulo.
Duas formas de medir a rigidez
Na elastografia por compressão, o examinador aplica uma leve pressão com o transdutor, e o aparelho compara quanto o nódulo e o tecido vizinho se deformam. O resultado aparece como um mapa de cores sobreposto à imagem, que indica as áreas mais duras e mais macias.
Na elastografia por ondas de cisalhamento, o próprio aparelho emite pulsos que geram ondas dentro do tecido, e a velocidade com que elas se propagam é medida. Quanto mais rápido a onda se desloca, mais rígido é o tecido. Segundo Vinicius Rodrigues, a vantagem desse método é oferecer valores numéricos, menos dependentes da força aplicada por quem realiza o exame.
Onde a técnica mais ajuda
O principal uso está nos nódulos que ficam no limite entre o provavelmente benigno e o suspeito. Uma lesão com aparência duvidosa, mas muito macia na elastografia, pode ser acompanhada com controle em intervalo curto, em vez de ser biopsiada imediatamente. O inverso também acontece, quando um nódulo de aspecto tranquilo se mostra rígido e passa a merecer investigação.
A elastografia também pode ajudar a avaliar linfonodos da axila e a acompanhar alterações ao longo do tempo. Por não usar radiação nem contraste, é um complemento simples, feito no mesmo momento da ultrassonografia e com acréscimo de poucos minutos ao exame. Para a paciente, o procedimento é indistinguível de uma ultrassonografia comum.
Limites que ainda existem
A técnica não é infalível e tem limitações conhecidas. Alguns tumores são mais macios do que o esperado, e certas lesões benignas, como fibroadenomas antigos e calcificados, podem ser rígidas. Nódulos muito profundos, muito pequenos ou localizados próximos à parede do tórax também são mais difíceis de avaliar com precisão.
A experiência de quem realiza o exame influencia os resultados, sobretudo na técnica por compressão. Na leitura de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a elastografia deve ser interpretada sempre em conjunto com as demais características da ultrassonografia e com a mamografia, e não como critério isolado de decisão.
Uma ferramenta em expansão
A disponibilidade da elastografia vem crescendo nos aparelhos de ultrassom mais modernos, e sua incorporação à rotina depende de treinamento das equipes e de padronização dos laudos. Pesquisas recentes também avaliam sua combinação com sistemas de inteligência artificial para tornar a análise mais objetiva e reprodutível.
A tendência, nos próximos anos, é que a técnica se consolide como apoio à decisão sobre biópsias. Conforme pondera Vinicius Rodrigues, o objetivo é investigar com precisão quem realmente precisa e poupar procedimentos de mulheres com lesões benignas, sem perder a segurança no diagnóstico do câncer de mama.

