SÔNIA GUAJAJARA: Líder indígena fala sobre lutas e ideias

SÔNIA GUAJAJARA: Líder indígena fala sobre lutas e ideias

Entre as 100 mulheres mais influentes do mundo, segundo a revista Time, ela esteve em Limeira na quarta-feira, 29

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Com ampla penetração na opinião pública internacional e frequentadora dos organismos da ONU (Organização das Nações Unidade), Sônia Guajajara está, desde o último mês de maio, entre as 100 mulheres mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Ela tem viajado pelo mundo e pelo país, divulgando suas lutas em favor dos povos indígenas, o qual representa, ao meio ambiente e aos direitos humanos. Na última quarta-feira, 29, Sônia Guajajara esteve em Limeira, em roda de conversa na FT (Faculdade de Tecnologia) da Unicamp e visitando o assentamento Elizabeth Teixeira.
Durante sua visita, a líder indígena visitou a Tribuna de Limeira, à qual concedeu uma rápida entrevista. Guajajara faz parte da Terra Indígena de Araribóia, do Povo Guajajara, no Maranhão, mas está radicada em São Paulo, onde tem atuação política acentuada. De acordo com ela, “os povos indígenas lutam por seu território, aos quais têm, definitivamente, direito”. Hoje, conforme falou à Tribuna, embora com dados ainda não atualizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há cerca de um milhão de indígenas no Brasil, divididos em 305 povos, falando 274 línguas diferentes, além de outros 114 grupos isolados, ou autônomos, que não têm contato com ninguém, nem mesmo com outros povos indígenas que habitam as aldeias próximas.
Segundo ela, hoje, suas bandeiras, além dos povos indígenas, lutando pela garantia territorial, através do Marco Temporal, é no combate à violência contra esses povos nos últimos anos, além de questões ambientais e de direitos humanos. “Nós buscamos justiça para essa população originária, além de que os responsáveis por essas violências sejam punidos”, falou. Tudo isso, articulando em território nacional e se utilizando das redes internacionais e movimentos sociais e, também, junto à ONU.
A líder Guajajara explica também, que usa como articulação, para as notícias chegarem à mídia brasileira, as denúncias internacionais. “Tudo isso para que a mídia nacional dê atenção a essas causas, por que quando essa mídia internacional denuncia, a nacional vai atrás das informações e, se formos apenas por aqui, a atenção é pouca”, afirmou. Ela enumerou as diversas mobilizações através de acampamentos em Brasília, com temas voltados à questão. “Na COP 16, a conferência do clima em Glasgow, Escócia, no ano passado, voltamos a tratar dos povos indígenas e do meio ambiente, e com muita atenção da comunidade internacional”, falou, para finalizar: “em minhas andanças pelo Exterior pude perceber a péssima imagem do Brasil lá fora, hoje, um estrago sem precedentes da política externa e da diplomacia brasileira, que deixou o nosso protagonismo de lado”.
Sônia Guajajara deve disputar uma cadeira na Câmara Federal pelo PSol de São Paulo.

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