Ponto UM

Ponto UM

Cultura, uma sobrevivente

O Farol Debate, programa exibido todas às quartas-feiras nas plataformas de Web/TV do Farol de Limeira, substituiu a pauta política durante a semana. Recebendo o secretário de Cultura José Farid Zaine e o músico e produtor Joaquim Prado, o jornalístico obteve, mesmo com as limitações impostas pelo tempo, um retrato importante de como este setor se revigora depois das dificuldades impostas pela pandemia. Questões como a Lei Rouanet, o veto aos incentivos previstos na Lei Aldir Blanc, a contratação de shows por prefeituras e até mesmo um olhar lançado para os artistas que sobrevivem de seu trabalho, em barzinhos e restaurantes, foram exaustivamente debatidas, mas em determinado ponto, três citações feitas pelo secretário falaram mais alto. A primeira, informando que quase 600 munícipes participam regularmente como alunos de oficinas culturais – um número expressivo. A segunda: a partir desta virada de semestre, mais de 900 mil Reais serão destinados para o custeio de nossa Orquestra Sinfônica, dotação orçamentária igualmente disponível para estudos, ensaios e apresentação dos músicos e toda a sua estrutura. Finalmente, Farid nominou recentes espetáculos organizados por sua pasta, incluindo a apresentação de uma orquestra de violeiros, todas com acesso gratuito ao público e, o mais impressionante: a custo zero para os cofres municipais. A título de contextualização sobre a importância destas notícias, em uma época em que os meios eletrônicos atraem tantas atenções, oficinas culturais que reúnem centenas de alunos sinaliza qualidade do serviço público. Ponto dois: que prefeito destinaria quase um milhão de Reais para uma Sinfônica se ela não estivesse bem dirigida? Finalmente, enquanto promotores públicos investigam compras milionárias de shows por pequenos municípios, muitas vezes em prejuízo ao setor de saúde, contratar espetáculos praticamente sem quaisquer despesas é algo admirável. Bem, Farid está na vida pública há quase trinta anos, sabe o que faz e isso explica sua longevidade nesta função, mas voltamos a uma tecla batida na semana passada: a gestão eficiente. Assim como acontece com pessoas, entidades ou entes públicos, o dinheiro é finito e não deve, sob qualquer aspecto, ser mal aplicado. O controle de gastos governamentais, algo desejado pela sociedade, é tão possível quanto, melhor ainda, pode voltar aos contribuintes em diversos benefícios, e não apenas naqueles sobre os quais a sociedade mais observa. A boa gestão é apenas uma exigência, mas existe uma estrada de duas vias.

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