PONTO UM

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Médicos no olho do furacão

A classe médica, privilegiada na “escala social”, vive um período de inferno astral. Há meses, entretanto, o prenúncio desta fase sombria veio à tona com a acusação de um representante conhecido como Dr. Jairinho, à época vereador no Rio de Janeiro. As denúncias, até o momento, indicam sua participação no homicídio de uma criança de apenas cinco anos de idade, filho de sua companheira. Em virtude de sua influência política e financeira, o julgamento se arrasta como era de se esperar. No caso de maior repercussão, do anestesista estuprador, as imagens não apenas enojaram a opinião pública como revelaram uma perversidade sem paralelos, compondo um quadro no qual seguirão em paralelo a legislação criminal e a psicologia. Espera-se agora que a mão pesada da Justiça atinja frontalmente este monstro, em forma humana, enquanto um rastro de terror, em potenciais vítimas anteriores, segue investigado. Enquanto isso, outro médico foi acusado de manter em cárcere privado uma de suas pacientes, por supostamente ter cometido um erro médico. Devidamente preso, há fortes indícios que, buscando a ocultação de sua imperícia ao realizar uma cirurgia plástica, ele deixou uma mulher agonizando no próprio hospital em que trabalha. E o que piora a situação: suspeita-se que sua conduta tenha recebido a solidariedade de algumas enfermeiras.  Por isso ele, que oferecia pagamento de cirurgias por carnês, também é acusado, além de lesão corporal e cárcere privado, de organização criminosa. Mas faltava a cereja neste bolo imundo, que foi colocada há dois dias: simplesmente o atual presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, o cirurgião ortopédico Clovis Bersot Munhoz, de 72 anos, acaba de ser acusado de assédio sexual no exercício da profissão. Uma técnica de enfermagem, de 26, alega que ele fez comentários de cunho sexual no centro cirúrgico, e que faltaram providências por parte do hospital, o que a levou a pedir demissão. Bem, criminosos, doentes mentais e bandidos existem em qualquer profissão. Mas casos como esses não merecem “apenas” as punições da lei ou dos órgãos de fiscalização interna. Sugerem uma reciclagem e atualização de seus membros sobre como a sociedade reage – e resiste – contra seus maus representantes atualmente. Será que a pandemia, que tanto evidenciou a classe, também nada ensinou a este pequeno grupo de delinquentes? Que essas reflexões também se imponham rapidamente. Ninguém deve ter medo de médicos, que a eles devem respeito e admiração, ou deveriam dever.

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