Ponto UM: Os dilemas persistem

Ponto UM: Os dilemas persistem

Desde que a internação involuntária de dependentes químicos ganhou a atenção da Câmara Municipal, aspectos como legalidade e “higienização” foram discutidos à exaustão. Passado o alvoroço inicial, vale lembrar que Betinho Neves, um dos autores do projeto, participando do Farol Entrevista, desfez algumas dúvidas. Mas chamou a atenção, durante a conversa, suas considerações sobre o crescimento de “cracolândias” na periferia da cidade. Indagado sobre o assunto, o vereador foi taxativo ao afirmar que as concentrações de usuários de drogas se multiplicam semanalmente, vários deles montando barracos em meio a vegetação, inclusive. Porém, além do drama social, observa-se que entorpecentes não caem do céu. Eles são comercializados a todo o instante, por mais que o meio policial tente interceder. Por este trabalho, de identificar, acolher e cuidar de moradores de rua – e não exatamente de dependentes químicos, é bom reforçar –, o nome de Betinho foi muito lembrado nas últimas eleições. E isso o credenciou não apenas para continuar sua atividade assistencial, como possibilitou-lhe ampliar o número de projetos e seus atendidos, mas não há dúvidas que a questão é complexa e extremamente desafiadora. No último final de semana, depois de dois anos, a tradicional quermesse a Catedral de NS das Dores reuniu centenas de pessoas que, após as celebrações, superaram o frio e permaneceram em torno das barracas juninas. Entretanto, semelhantemente ao último festejo, os incômodos provocados pelos sem-teto, vamos considerá-los assim, permaneceram. As vezes disfarçados de catadores de recicláveis, outras simplesmente ziguezagueando próximos aos caixas, essas pessoas se mostraram muito à vontade durante a festividade. Duas delas, inclusive, chegaram a ofender e ameaçar guardas municipais que recomendaram que saíssem dali. Claro que este problema não chegou a afetar a festança de um modo geral, mas também é óbvio que está longe de terminar, com agravantes. Segundo o vereador, se anos atrás questões familiares e o desamparo explicavam a escolha das ruas, hoje, em 99% dos casos, a temática está relacionada ao consumo de drogas. A quermesse seguirá neste final de semana, e acompanharemos mais uma vez como se dará a proteção dos frequentadores, não apenas no centro, mas em outras que acontecem neste mês festivo.

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