Senso&Consenso

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O tucano já voou para o telhado

De queridinho de SP, mas não de tucanos raiz, e eleito nas corredeiras do ‘Bolso-Doria”, para alavancar a sua popularidade, o agora ex-governador João Doria Jr., do PSDB, anunciou a desistência de concorrer ao pleito presidencial. Mesmo tendo sido escolhido legitimamente em convenção, contra o desconhecido governador gaúcho do mesmo partido, Eduardo Leite, o tucanato da alta estirpe já o havia abandonado. Agora é o baixo-clero do PSDB que o abandona.
Desde que tomou para si as rédeas do PSDB paulista, o partido que sempre se contrapôs ao PT e fazia as dobradinhas nas eleições, começou a minguar. Está, hoje, quase que na lanterna partidária e, se fosse um dos cavalinhos do Fantástico, estaria ali, no pelotão entre Atlético-GO e Fortaleza-CE. Quando ele anunciou a coletiva, que aconteceu na segunda-feira, 23, em meu comentário no Farol de Limeira, adiantei que a entrevista tinha cor de renúncia. Acertei!
Apesar de Gerado Alckmin não estar mais entre o tucanato, alguns dos mais respeitados líderes tucanos devem caminhar com ele, em direção a Lula. Não, evidentemente, ao PT. E quem disser o contrário, com certeza vai precisar atualizar seu App. Seu software.
A verdade é que famoso Partido da Social Democracia Brasileira vem se derretendo, como já escrevi lá atrás e continuei a escrever, a partir da aventura do então senador mineiro – hoje um deputado de pouco mais de 100 mil votos – Aécio Neves, que começou seus movimentos de bastidores no dia 27 de outubro de 2014. No dia seguinte à derrota para Dilma Rousseff (PT), que dois anos depois seria cassada, sob a égide tucana do político mineiro.
Se alguém, hoje, tem alguma culpa no cartório por estarmos vivendo um desgoverno Bolsonaro [Jair Bolsonaro (PL), presidente da República eleito em 2018], coloque nas costas do próprio PSDB. E que não venham os mais afoitos e que hoje se sentem como viúvas ou órfãos de um partido em estado terminal, dizer o contrário. Foi por graça de Aécio, que isso aconteceu. Com certeza, se Dilma não tivesse sido cassada, o PSDB estaria governando o país hoje. E não Bolsonaro. Mas o ressentimento foi demais.
Agora, sem Doria, é provável que o PSDB seja um coadjuvante, que vai ser extirpado, inclusive, do Estado de SP, ao qual governa há 28 anos, quando completar esse mandato. O tucano, que vivia em cima do muro, agora subiu no telhado. Se não tomar cuidado vai escorregar em vez de voar.

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