Barroso, o vaidoso

Barroso, o vaidoso

Quando teve início o julgamento do mensalão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) – a ação Penal 470 – que a mídia tratou como “mensalão do PT”, em agosto de 2012, não se imaginava que o Poder Judiciário iria se valer justamente da mídia, para escalar seus integrantes à condição de estrelas. Joaquim Barbosa foi a primeira delas e, de lá para cá, não parou mais. Barbosa se tornou um protagonista de história hollywoodiana e, quando concluiu o julgamento, simplesmente deixou a Corte e voltou a advogar.
Deve até ter pensado em política partidária, mas como chegar aos partidos, se foi justamente o que combateu durante toda a ação, que culminou com a condenação de pouco mais de uma dezena de investigados. De lá para cá, Poder Judiciário e Ministério Público protagonizaram muitas ações, com um poder nunca antes imaginado e que, resultou na Operação Lava Jato, eivada de vícios na origem e de julgamentos direcionados. Sérgio Moro foi o segundo protagonista como magistrado, que usou e abusou de suas prerrogativas e, agora, está no limo.
Também Moro não conseguiu emplacar seu espaço na política partidária e o “super-homem” de muitos inocentes úteis está mais para bandido do que para mocinho. Mesmo com esses percalços e tudo o que aconteceu, também o STF parece padecer desse “protagonismo ensaiado”, que não deu certo com Joaquim Barbosa, mas que não fica atrás de muitos absurdos e levam seus ministros a se julgarem donos do poder, únicos defensores da liberdade e um discurso que beira ao surreal e, principalmente, também incita o ódio, assim como fazem aqueles que precisam dessa incitação para sobreviver.
Suas ações são pautadas, pelo menos pelo que se percebe, na tentativa de impor um freio no abuso e no extremismo. Alguns de seus ministros, entretanto, não podem ver uma tela, uma câmara ou um microfone, que não conseguem se conter e, definitivamente, acabam jogando o mesmo jogo daqueles a quem combatem. E, facilmente, mordem iscas e engole os anzóis.
O ministro Roberto Barroso foi o último a usar desse expediente. Embora o que disse é de fato uma realidade e, aos poucos se transforma em verdade insofismável, deveria ter se contido. Segurado a língua, para não dar munição ao inimigo, que agora vai deitar e rolar nessa vaidade exposta. Assim como Barbosa, Barroso também é midiático. E extremamente vaidoso. Deveria, entretanto, pensar mais no país, e imaginar nas danosas consequências de palavras mal postas em momentos inoportunos. Mesmo que verdades consumadas.

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