CRISE HÍDRICA: Cenário é parecido ao de 2014, diz BRK

CRISE HÍDRICA: Cenário é parecido ao de 2014, diz BRK

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

No início da semana, mais precisamente na terça-feira, 28, o prefeito Mario Botion (PSD) decretou situação de emergência em Limeira, devido a crise hídrica pela qual o município e região passam, para evitar o colapso no sistema de abastecimento de água. Na quarta-feira, 29, o JOM (Jornal Oficial do Município) trouxe, em sua edição eletrônica o decreto 335, que levava em conta a total ausência de chuvas nos últimos meses; volumes de água nos mananciais apresentando níveis inferiores aos limites prudenciais e necessários; e urgente necessidade de convocar a população para colaborar com medidas de contenção do consumo de água tratada, inclusive com fiscalização e até mesmo aplicação de multas, conforme legislação de 2014, que foi considerada a maior crise hídrica da Região Sudeste.
Nesse sentido, a Tribuna de Limeira procurou a concessionária BRK Ambiental, responsável pelos serviços de água e esgoto no município, para saber como de fato estava a situação. Questionada pela Tribuna se havia alguma semelhança em relação a 2014, a concessionária afirmou que o cenário deste ano é bastante semelhante ao de 2014, com pouco volume de chuvas e impacto nos níveis dos mananciais de captação da cidade. “Em relação aos índices pluviométricos, o volume de chuvas registrado de janeiro a agosto em Limeira no ano de 2014 foi de 505 mm [milímetros]. Em 2021, o volume é de 590 milímetros, sendo o menor volume registrado na cidade desde aquela crise hídrica”, avaliou a BRK. Em relação aos mananciais de captação, conforme a empresa, o Rio Jaguari chegou a uma vazão 1 m3/s em 2014, e neste ano já tem uma vazão mínima de 0,88 m3/s, numa condição crítica que, inclusive, já demandou o início do uso da água da represa Salto do Lobo (reserva) para a manutenção do abastecimento de Limeira.

CONSUMO MAIOR
A Tribuna também quis saber se havia alguma diferença entre 2014 e 2021 e a resposta foi enfática. “Uma das diferenças observadas entre a estiagem de 2014 e 2021 está no fato de que, diferentemente daquele ano, quando houve uma rápida sensibilização por parte da população, os níveis de consumo continuam altos em Limeira”, alertou, para prosseguir: “em Limeira, o consumo médio por habitante/dia na cidade em 2021 é de 178,2 litros, ou quase 70 litros de água a mais por dia que o recomendado pela ONU (Organização das Nações Unidas). De acordo com a ONU, cada pessoa necessita de cerca de 110 litros de água por dia para atender às necessidades de consumo e higiene. No comparativo com os dados do último diagnóstico do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), divulgado em 2019, Limeira também apresenta um consumo per capita acima da média da região Sudeste, que é de 174,4 litros de água por habitante/dia”.
Um balanço feito pela BRK Ambiental, mostra que no último mês de agosto foram consumidos 1 bilhão 649 milhões de litros de água em Limeira e, em setembro, embora “o ciclo mensal ainda não esteja encerrado, o consumo tende a ser superior ao mês de agosto em razão dos picos de consumo de água registrados, especialmente, na semana passada, quando ocorreu a maior temperatura do ano na cidade”. De acordo com a concessionária, essa tendência de aumento no consumo, pode agravar as condições do abastecimento de água no município. “Em 2014, a população apoiou a campanha de enfrentamento da estiagem e o consumo de água na cidade foi reduzido de 181,5 L/habitante dia [de antes da crise hídrica] para 161,2 L [ao final da crise hídrica em 2015] e o consumo per capita de 2021 [178,2 L/habitante dia] também se encontra superior ao de 2020 que foi de 176,8 L”, lembrou a empresa.

Sobre reservação, a concessionária informou à Tribuna que adotou um plano de contingência, desde o início deste ano, visando atuar preventivamente no enfrentamento destes meses mais secos. “Entre as principais medidas já adotadas estão ações que vão desde a ampliação da capacidade de reserva de água tratada, combate a vazamentos e ações para redução das perdas de água, e adoção de novos processos, como o sistema de hipoclorito de sódio implantado na captação e na ETA (Estação de Tratamento de Água) para garantia da qualidade da água durante o período de estiagem”, enfatizou. E isso, conforme a BRK, tem sido fundamental para a manutenção, até agora, do abastecimento no município, que tem uma capacidade de produção diária de 80,3 milhões litros de água por dia na ETA, e uma estrutura de reservação de água tratada composta por 33 reservatórios localizados em todas as regiões da cidade, que somam uma capacidade de reserva total de 55,185 milhões litros de água tratada.
Sobre o racionamento, a concessionária adiantou que só será implantado em última instância, a depender da evolução e agravamento do cenário de estiagem. “Nós temos

atuado para garantir com regularidade o abastecimento de água em Limeira, mesmo diante do forte estresse hídrico vivenciado em toda a região”, afirmou, para concluir: “neste momento, a concessionária reforça apenas o pedido pelo envolvimento de toda a comunidade para a redução do consumo de água”. Para tanto, a BRK disponibiliza um canal de comunicação com informações atualizadas sobre as condições dos mananciais de captação, índices de chuva, e ações da empresa para o enfrentamento deste período, além de dicas para o bom uso da água, bastando acessar o link https://jogandojuntopelaagua.com.br.


Município já está em emergência declarada
O Decreto 335 prevê ainda autorização para que o município se utilize da lei 5.460 de dezembro de 2014, estabelece com detalhes normas que devem ser seguidas em cenário de estiagem, como está ocorrendo atualmente, conforme divulgou no início da semana a Prefeitura de Limeira. Lavar calçadas, passeios públicos, ruas ou quintais residenciais, comerciais ou industriais; lavar prédios, vidraças e janelas residenciais; manter torneiras, canos, conexões, válvulas, caixas d´água, reservatórios, tubos ou mangueiras eliminando água continuamente e lavar veículos com uso contínuo de água se enquadram como casos de desperdício de água e podem causar autuações e multas.
A própria prefeitura, de acordo com a nota, também terá que adotar medidas de contenção para utilização de água em espaços públicos, como praças, pátios de escolas, unidades de saúde e centros comunitários, entre outros. Além disso, o município vai adotar fiscalização para se constatar a ocorrência de desperdício de água, prevendo aplicação de penalidades. “Porém, num momento inicial o objetivo do município é despertar consciência e orientar para o uso adequado da água”, finalizou a nota. (Antonio Claudio Bontorim)

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*