Senso & Consenso: Ideologias, crimes e responsabilidades

Senso & Consenso: Ideologias, crimes e responsabilidades

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça… o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto. Rui Barbosa

Não sou fã de Rui Barbosa, apesar de sua enorme cultura e conhecimento à sua época. Mas a célebre frase do jurista baiano deve estar ecoando na cabeça dos bolsonaristas de primeira, segunda e até terceira linhas, em tempos de arrepio na espinha com o chamado Centrão se apossando do governo federal e colocando Jair Bolsonaro em seu devido lugar. Um coadjuvante do baixo clero, que por acaso e pelo crédito de mais de 57 milhões de brasileiros às suas promessas de integridade, honestidade e honradez, chegou à Presidência da República.
Da quarta linha para frente, os fãs do até então “mito”, já pularam do barco. Até mesmo alguns da linha de frente do início de seu mandato presidencial já foram para o mar e hoje protestam contra suas decisões, omissões e descasos com a tragédia sanitária, causada pela pandemia do coronavírus, que já completou um ano e quatro meses. Ideologia cada um tem a dele. À direita ou à esquerda, deve se respeitar as opiniões e debate-las, sempre em alto nível, para não progredir ao bate-boca desnecessário. Há, porém, um silêncio ensurdecedor nas redes bolsonaristas. Ou causado pelas próprias redes, que estão retirando publicações que desinformam ou levam notícias falsas. Essas mais perniciosas ainda. Se é que um bolsonarista-raiz entende o que isso significa. A frase de Rui Barbosa é um contraponto a todo espectro desse atual governo.
Esquecendo um pouco a ideologia, o Centrão, que não é centro, e os demais aspectos da vida política, é inconcebível que em meio as mais de 550 mil mortes por Covid-19 e 20 milhões de contaminados pela doença, ainda há que defenda o presidente. Com unhas, dentes e até de arma em punho, defenda essa política criminosa para a pandemia. Que ainda ache graça nas frases de efeito, como ‘é uma gripezinha, mi-mi-mi, não sou coveiro, parem de chorar, país de maricas’, entre outras tantas. É bom lembrar que quando a CPI da Covid chegou mais perto de Bolsonaro, foi ele quem partiu para o mi-mi-mi, para o chororô e postagens de fotos com fios e tubos pelo corpo. Desfalecido.
Recuso-me a acreditar que muitos desses defensores, que perderam amigos, parentes e familiares na pandemia e pelo caos que ela trouxe, insistam em continuar nessa defesa e, principalmente, cúmplices de tudo isso. Recuso-me, principalmente, a aceitar esse tipo de comportamento. Mas acredito, por que vejo isso todos os dias. Por que os fatos estão aí. Não sou obrigado, entretanto, a aceitar. É preciso lembrar que estamos num país de livre expressão do pensamento e de ideias. Também não é possível usar a máxima de Voltaire do “defenderei até a morte vosso direito”. Porque o direito ao escarnio e ao genocídio é indefensável e inafiançável.

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