Senso&Consenso: Um mito caído? Ou… apenas escondido

Senso&Consenso: Um mito caído? Ou… apenas escondido

Como um ativo observador do cotidiano, embora sem a fluência e o talento dos grandes mestres da crônica brasileira, como Rubem Braga, Lourenço Diaféria, Álvaro Alves de Faria, Fernando Sabino, Luiz Fernando Veríssimo, entre outros, não posso deixar passar em branco a ausência, cada vez mais notada, dos defensores do presidente deles, Jair Bolsonaro, das redes sociais. Deles por que o elegeram, mas nosso por que, embora não pareça e não aja como tal, é presidente de todos os brasileiros. E se qualquer palavra enviesada fosse escrita, para desmitificar o mito, uma enxurrada de impropérios vinha na sequência, porém jogada, sem os necessários argumentos que a sustentasse e, principalmente, suja como a água da chuva que escorre nas sarjetas.
O bolsonarismo vive, a exemplo de seu principal mentor, a fantasia de um país que não existe. Não é real e esbarra justamente na realidade, que é diferente e nem um pouco glamorosa, como propõem e pensam os que todos nele acreditam. Mas vamos aos fatos. As redes sociais, antes reduto quase intransponível dos seguidores do presidente e seus maiores defensores, de repente ficaram em silêncio – e vão ficando, paulatinamente – outras deixaram de existir e, os resistentes, estão cada vez mais sem a própria sustentação de seu mito, agora caído e desmascarado pelas próprias mentiras. Embora teime em se sustentar em pé.
Eu, particularmente, deixei de provoca-los há tempos. E também não caio mais nas suas provações e, cada vez que sou instado a fazê-lo, embora me coce os dedos, o teclado impávido à minha frente, sigo aquele velho conselho. Vou para um cantinho, com muita luz, e deixo a vontade passar. Não há nada mais triste do que esbarrar em argumento repetitivo, cujo som parece o de um piano velho de uma tecla só e quebrada. Até mesmo essa expressão deixei de lado, para não ofender mais o velho piano esquecido no canto da sala. Sem o ébano e sem o marfim, como cantam de forma maravilhosa Paul McCartney e Stevie Wonder…
Difícil saber, entretanto, se isso é bom ou ruim. Se esse silêncio é um alívio aos nossos ouvidos ou um perigo à democracia de um país ainda imaturo. Pois a quietude dessa turba nos impede de enxerga-la. De saber onde está e quando vai agir. São sombras que vagam pelas sombras para o traiçoeiro bote. Que é o que mais sabem fazer. A razão nos ensina que muitos deles estão de fato arrependidos e buscam se reposicionar. Outros, no entanto, insistem em acreditar no enviado dos céus. Porém, cria das profundezas e das cavernas infernais.
Em todo caso fiquemos atentos. Não nos custa manter a guarda enquanto a caravana passa.

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