Senso&Consenso: A devida – e necessária – transparência

Senso&Consenso: A devida – e necessária – transparência

Os dados da Covid-19 em Limeira estão muito confusos. Como venho questionando, ainda não obtive uma resposta oficial sobre quantas pessoas se recuperam, em isolamento domiciliar, da doença. Nas tradicionais coletivas online, muito frequentes no ano passado, questionei várias vezes sobre essa situação, mas nunca houve – ou recebi – uma resposta objetiva. E se não se sabe se há pessoas isoladas, contaminadas pelo coronavírus, não se sabe, também, se essas pessoas circulam pela cidade. E, nesse caso, transmitindo o vírus.
A Secretaria da Saúde nunca divulgou, também, quais as áreas do município em que a doença aparece com mais frequência. Bairros, principalmente. Há boletins de outros municípios, nos quais essas informações aparecem. E são relevantes, sim, apesar da justificativa da “não estigmatização” dessas áreas, por que envolve a saúde pública. Envolve pessoas sadias e pessoas infectadas, muitas vezes frequentando um mesmo local. E, nesse caso, com certeza vai ocorrer uma disseminação maior do vírus.
A transparência é, e tem que ser, 100% nesse caso. Estamos combatendo um inimigo invisível, mas presente e circulando livremente através de seus hospedeiros, muitos dos quais nem sintomas apresentam e, portanto, deixam o devido cuidado de lado, como o uso correto da máscara. Se o contágio se dá através das gotículas da saliva, a máscara é, sem dúvida, uma grande aliada no controle da pandemia.
Há situações que a desinformação – ou a não informação objetiva – pode acarretar em mais prejuízos que benefícios. E se não há, de fato, um controle mais efetivo sobre isso, é evidente que a infecção vai se alastrar e cada vez com mais rapidez. Mesmo por que quem sabe onde está o perigo vai, com certeza, passar longe dele. Acaba se transformando numa armadilha não intencional, mas da mesma forma perigosa e, muitas vezes, letal.
Uma das narrativas que melhor exemplifica essa situação, é do início dos anos 1970, ainda em plena ditadura militar, onde informar era proibido. Trata-se da epidemia de meningite, que levou milhares de brasileiros à morte. Estimativas indicam 1,6 mil a 2,5 mil mortos, por que os dados não existiam. A maioria no Estado de SP. A censura não permitia a informação correta e nem sobre os cuidados, como não se aglomerar, evitar locais fechados e multidões. Qualquer semelhança…
O Estado de SP foi o mais afetado e até os jogos Pan-Americanos, que seriam realizados na capital paulista, foram cancelados. Ninguém sabia por que. O governo demorou a reconhecer e só o fez tarde demais. A falta de informação, nesse caso, resultou nas mortes relatadas.

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