Senso&Consenso: Além do desprezo; o que falta acontecer?

Senso&Consenso: Além do desprezo; o que falta acontecer?

A degradação do ser humano, quando se percebe que ele perdeu a empatia e a sua condição de enxergar o outro ser humano como seu igual, de uns tempos para cá e motivada pelo ódio, é um sinal claro de que ele perdeu a humanidade. A condição que diferencia o ser humano do restante dos seres vivos. Mas para que esse tipo de atitude, perante a tristeza de outrem, e que apenas escancara a intolerância, que tomou conta de certa parcela da população?
Confesso que fico confuso, quando vejo tais comportamentos, muito comuns através das redes sociais – elas, sempre elas – para justificar um descontentamento ou uma discordância com aqueles que estão do outro lado. Há um discurso nocivo, que ouvimos diuturnamente, de separação entre cidadãos de bem e cidadãos do mal. Como se fosse possível separar essa diferença, apenas pelo comportamento e pelas opções que fazem. Sejam elas religiosas, políticas, ideológicas, sexuais ou mesmo aquelas que envolvem a etnia de um cidadão.
Não é de hoje – e me lembro de que começou lá atrás – quando Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais do governo Lula – fez aquele famoso gesto obsceno, ao saber que o acidente com um avião da TAM, um Airbus 320, em julho de 2008 e que matou todos que estavam à bordo, havia acontecido por falha do avião. E não da pista do aeroporto de Congonhas, que muitos estavam imputando ao governo federal por falta de obras. Em que pese suas explicações, sua formação acadêmica e o que ele fez de importante, aquilo soou como uma comemoração, num momento em que a nação chorava a tragédia.
Se foi um gesto esporádico, não o deveria ter sido feito, em hipótese alguma. Assim como as comemorações de seus adversários, dez anos depois do acidente, com sua morte. Assim como as comemorações com a morte da então ex-primeira-dama, Marisa Letícia, mulher de Lula, e do próprio neto do ex-presidente, enquanto ele estava preso em Curitiba. Comemorações insufladas por antipetistas, como se o partido fosse a essência da situação.
E agora, com o prefeito paulistano Bruno Covas (PSDB), as redes sociais voltam a comemorar sua internação e agravamento de sua situação, diagnosticado e em tratamento de um câncer agressivo, como se fosse algo normal. Como se ele merecesse o que está passando. E como se aqueles que estão comemorando são melhores que ele. Não o são. São, com certeza, o que há de pior na espécie humana. Se há algo pior que o desprezo, é o que de fato merecem esses cidadãos de bem.

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