MÁCHINA SÃO PAULO: Obra de reforço desenterra fonte

MÁCHINA SÃO PAULO: Obra de reforço desenterra fonte

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

A Tribuna de Limeira trouxe, em sua edição 273, 13 e 14 de março, matéria sobre as obras de reforço que teriam início em parede restante da antiga Máchina São Paulo, que tem valor histórico atestado. Agora, com o início dos trabalhos para instalação das escoras definitivas, um “novo tesouro arquitetônico” foi encontrado, conforme informação divulgada pela Secretaria da Comunicação Social. Trata-se de uma antiga fonte da fábrica, localizada entre o paredão de tijolos a vista e a Avenida Campinas, que estava soterrada havia oito anos. De acordo com a nota, a fonte é de cimento e com formato ovalado, com dimensões de 19,9 metros de comprimento, por 7,7 metros de largura e aproximadamente 80 centímetros de profundidade.
A parede da antiga indústria, conhecida como ‘mãe’ do parque industrial limeirense, foi alvo de várias matérias na Tribuna, pois estava escorada apenas por madeiras (troncos de eucaliptos e caibros) e corria o risco de desabar, quando a prefeitura anunciou o início das obras de reforço. De acordo com a arquiteta do Setor de Patrimônio Histórico da Secretaria de Urbanismo, Alessandra Argenton Sciota, a fonte provavelmente foi construída na mesma época que a fábrica, em 1914. “Sua existência já era de conhecimento da pasta, e inclusive, consta do atual projeto de recuperação do espaço”, comentou. A arquiteta lembrou, também, que em meados de 2010, a fonte chegou a ser restaurada, no entanto, não houve a instalação de um sistema de drenagem.
Segundo a nota, em 2013, em razão do aumento dos casos de dengue na cidade, foi aterrada para evitar o acúmulo de água e a consequente formação de criadouros do Aedes aegypti. Já o secretário de Urbanismo, Matias Razzo, observa que, mesmo antes de ser encoberta, a fonte era desconhecida de boa parte dos munícipes, pois ficava fora do alcance de visão devido ao muro da antiga fábrica. “Com a demolição do muro e a retirada de outros elementos sem valor histórico, tanto o paredão quanto a fonte passaram a ser vistos pela população”, afirmou. O titular da pasta afirmou que fonte ganhará um sistema de drenagem que afastará a possibilidade da formação de criadouros do mosquito, mas o espaço não funcionará como fonte em razão dos custos elevados para instalação de um novo sistema de bombeamento de água.

DUAS ETAPAS

O projeto, elaborado pela Secretaria de Urbanismo, deve é transformá-la em elemento paisagístico, e para tanto, receberá vegetação ornamental. Ainda pela necessidade de contenção de gastos devido à pandemia de coronavírus, o secretário afirma que o projeto global para o espaço, que prevê o reforço do paredão e a construção de uma praça, precisou ser dividido em duas etapas. “Nesse primeiro momento, a prefeitura optou por dar prioridade à instalação da estrutura metálica que dará nova sustentação à edificação, a fim de preservá-la”, informou. A ação permitirá a retirada do escoramento de madeira, já bastante desgastado pelo tempo. Ainda nessa primeira fase, haverá uma alteração viária no local, com alargamento da Av. Campinas, visando melhorar o fluxo de veículos, e ampliação da calçada, nesse caso, para facilitar a circulação de pedestres.
Razzo informou, também, que a Administração Municipal buscará meios para avançar com o projeto. “Ainda estamos estudando formas de viabilizar a transformação dessa área em uma praça, como previa o projeto inicial”, disse o secretário. De acordo com dados levantados pela pasta, a Máchina São Paulo foi construída em 1914, por iniciativa de Trajano de Barros Camargo e Antonio Augusto de Barros Penteado. Em 1958, a empresa foi comprada pela Mercedes-Benz, que manteve a produção no local até 1962. Em 2007, o Comdephali (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico e Arquitetônico do Município de Limeira) declarou o espaço como de interesse histórico e o que restou da edificação está em processo de tombamento.

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