ISOLAMENTO SOCIAL: País vive briga política, diz contador

ISOLAMENTO SOCIAL: País vive briga política, diz contador

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Os índices de isolamento social em Limeira continuam abaixo da média necessária para conter a transmissão do coronavírus e até mesmo despencando. Depois de duas semanas da primeira matéria sobre o tema, divulgada pela Tribuna de Limeira, levando-se em consideração os dados do Simi-SP (Sistema de Monitoramento Inteligente do Estado de São Paulo), a situação continua a mesma. Do dia 19 para cá, os índices de isolamento tiveram dois picos de 42%, em final de semana e os demais ficaram entre 34% e 38%. Em todo o Estado, nesse período, a média chegou a 51%, mas oscilou entre 43% e 47%. E essa situação é comprovada pela circulação de veículos e pessoas pelo município.
A Tribuna conversou com o contador Éder Jr., do Escritório Taura Serviços Contábeis, mais um profissional entrevistado sobre sua percepção da pandemia e que se dispôs a falar sobre os números e as implicações da situação que Limeira atravessa. Para ele, o número ideal de 70% no índice de isolamento se deve, além da crise na saúde, a briga política. “Estamos vendo claramente a dualidade em que alguns defendem o lockdown e outros não porque estão pensando nas eleições de 2022”, afirmou. E ele citou outro agravante, que diz respeito aos contaminados pela doença. “Muitos que já pegaram a Covid-19 acreditam que estão imunes, então acabam agindo de forma irresponsável colocando em risco a saúde da coletividade”. Éder Jr. disse à Tribuna, também, que, além disso, a população está cansada, sem dinheiro e, muitas pessoas, sem emprego e sem ter para onde recorrer.
Segundo ele, e o mais triste disso tudo é ver que muitos políticos usam esse cenário como palanque. Enquanto os nossos governantes não colocarem a saúde da população em primeiro lugar, não atingiremos essa meta de 70%. Para ele, muita gente que demorou a acreditar na gravidade da pandemia e, surpreendentemente, muitos ainda que sequer acreditam. “Falta empatia, falta pensar no coletivo e o reflexo disso são as festas clandestinas e as aglomerações que seguem acontecendo no momento mais grave da pandemia”, lembrou. Para ele, a situação que estamos vivendo se agravou ainda mais com essa variante do novo coronavírus que está atingindo um público mais jovem e, além da falta de leitos a falta de insumos é outro problema.
“A situação está gravíssima e, muitas vezes, eu me questiono, o que mais falta acontecer para que as pessoas coloquem a mão na consciência e entendam, de uma vez por todas, que precisamos fazer a nossa parte?”, questionou. Sobre a queda no isolamento na Faze Emergencial do Plano SP, Eder Jr. comenta que entende ser vários fatores, mas a falta de empatia e responsabilidade da própria população que continua se aglomerando e também à falta de políticas públicas feitas de forma coerente e organizada estão entre eles. “Estamos no meio de um fogo cruzado entre o governo estadual e o federal e enquanto a política prevalecer, nós continuaremos sendo prejudicados”, finalizou.


Números confiáveis e ferramenta bem útil

Ouvido pela Tribuna logo no início da quarentena, para falar sobre a alimentação durante a pandemia e as medidas de higiene pessoal e os protocolos sanitários, o médico clínico-geral e nutrólogo, Renato Salibe Gullo, falou também sobre os números da Simi –SP, que em sua opinião são confiáveis. Para ele, através deste sistema inteligente de monitoramento, os governos passam a mapear a movimentação das pessoas em tempo real. A informação, de acordo com o Dr. Renato Gullo, é obtida em razão das conexões dos smartphones às antenas de Estação Radio Base – ERB.
Segundo ele, enquanto estes aparelhos se movem, automaticamente recebem sinal da antena mais próxima e assim em uma ligação ou utilização de internet em movimento este aparelho poderá utilizar sinal de várias Estações Rádio Base (antenas), sendo, portanto, possível traçar sua movimentação. “Tal sistema já vem sendo utilizado com sucesso no combate à criminalidade, portanto, nada mais razoável que seja igualmente aplicado no combate à pandemia e na luta para preservar vidas”, lembrou. O médico finalizou, dizendo que no Estado de São Paulo estas informações georreferenciadas de mobilidade urbana estão sendo utilizadas em mais de 180 municípios, com mais de trinta mil habitantes. (Antonio Claudio Bontorim)

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