Senso&Consenso: Tempos fúnebres, cadáveres e desordem institucional

Senso&Consenso: Tempos fúnebres, cadáveres e desordem institucional

O que mais será preciso acontecer para que tenhamos, definitivamente, uma guinada nas ações do governo federal contra a pandemia do coronavírus, que já enterrou – e está enterrando – mais de 300 mil mortes ainda nesta semana, que está terminando. Mais uma em que não sabemos o que irá acontecer no sábado e no domingo e como vamos acordar na segunda-feira, para enfrentar os novos desafios que o vírus, incontrolável e coletivamente forte, nos colocar pela frente.
Se as ações dos cidadãos não estão sendo pensadas de forma coletiva, o vírus por sua vez aproveita-se de sua coletividade e avança pelas bocas que tossem e pelos narizes que espirram, sem máscaras e aglomerados em festas e baladas. Como se nada existisse e a contaminação pela Covid só acontece com os outros. E os dados são alarmantes, pois o espectro dos óbitos corre, agora, entre jovens e adultos e não mais – ou menos do que no início – entre os mais idosos.
O vírus, sem controle e sem combate efetivo e aproveitando-se de uma liderança que incentiva a sua procriação e cada vez mais contribui com ela, em suas falas e atos, dando a mínima para os caixões que descem às covas rasas ou ficam amontados em containers frigoríficos nos hospitais já combalidos, com o oxigênio pedindo mais ar e profissionais da saúde exauridos, estressados, dobrando turnos e turnos na linha de frente desse combate.
E o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) o que faz? Comemora seu aniversário com bolo, pega pedaços e entrega a apoiadores sem qualquer cuidado sanitário e tudo mais, fazendo graças aos seus seguidores no cercadinho do Alvorada. O capitão reformado, mau exemplo entre os militares de sua época, continua tripudiando e arrastando consigo a dor daqueles que perderam algum ente querido para a doença e não reconhecendo o trabalho árduo dos profissionais da saúde, que exaustos sentam e choram junto a pacientes mortos pela Covid nos corredores hospitalares.
Tempos fúnebres e sem esperanças de que dias menos tenebrosos sejam vislumbrados. Dias difíceis, com as próximas 24h sendo pensadas com os números que virão, cada vez mais elevados. Uma linha do tempo carregada de desilusões e tristezas, varrendo nossas mentes, cuja capacidade funcional está no limite. Pensar é um ato que nos remete à nossa condição humana, mas nossos pensamentos acabam por libertar nossos piores instintos tamanha é a desordem institucional presente.

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