ESTÁ PRONTO: Incêndio no Mercadão já tem laudo

ESTÁ PRONTO: Incêndio no Mercadão já tem laudo

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Era um Domingo de Páscoa. O 12 de abril de 2020 vai ficar marcado na memória dos limeirenses como um dos mais tristes da história. Os relógios marcavam 12h30, quando uma grossa coluna de fumaça preta podia ser visto de vários pontos da cidade, na área central. Muitos nem imaginavam que as labaredas que começavam a aparecer fosse uma das tragédias mais emblemáticas de Limeira: o Mercado Modelo, o tradicional Mercadão, ardia em chamas e pouco tempo depois teria seu interior todo destruído. Nos dias que se passaram após a tragédia, que foi acompanhado pela reportagem da Tribuna de Limeira, com fotos de seu interior durante a demolição dos escombros, o clima era de desolação, apreensão e expectativa pela perícia técnica e por um laudo sobre o fogo. Lojistas ainda reclamam e afirmam não saber a causa do incêndio.
A Tribuna teve acesso a um diálogo trocado por WhatsApp entre lojistas e proprietários de box, e confirmado pela reportagem. Eles relataram que numa reunião com os proprietários, sem a participação da imprensa, o prefeito Mario Botion (PSD), respaldado pela Secretaria de Negócios Jurídicos, afirmou que a prefeitura nada poderia fazer, mesmo, de acordo com esses lojistas, sendo proprietária de 40% dos boxes. A Prefeitura de Limeira foi procurada pela Tribuna, porém não confirmou, mas também não desmentiu essa informação. Durante a campanha eleitoral, conforme os diálogos, a prefeitura voltou a garantir apoio aos lojistas, muitos acreditam que foi propaganda política. A certa altura, o diálogo revela que “não se fala nada sobre o laudo da perícia e não se sabe a causa do incêndio, ninguém ainda conhece o laudo conclusivo sobre a tragédia”.

FIAÇÃO ELÉTRICA
Segundo esses lojistas, a diretoria da associação de proprietários está muito devagar. Muitos dos box ninguém sabe quem é dono, uma vez que o aluguel é depositado na conta bancária do proprietário. “Nos anos 1980, quando o Jurandir (Jurandyr Paixão, então prefeito) reformou o teto do Mercadão, tomou posse para a prefeitura de uma rua inteira de box, mas não há documentos e nem escrituras comprovando isso”, diz trecho desse diálogo. Ainda conforme os lojistas, em 2016 todos foram convocados para reformar os box, como trocar divisória por parede de alvenaria e forro antichamas, por que o Mercadão estava sem alvará dos bombeiros. Um desses lojistas disse: “meu eletricista, à época, cantou a bola, informando que a fiação estava muito vulnerável e poderia pegar fogo a qualquer momento. Cadê a associação?”. O AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) também foi questionado durante as conversas
A Tribuna procurou a Prefeitura de Limeira, que através de nota da Secretaria de Comunicação Social informou que há várias tramitações de documentos nas secretarias de Urbanismo, Jurídica, Desenvolvimento e Inovação, Obras e Gabinete. “Todos os processos estão tramitando, mas essa tramitação é demorada e precisa de todos os pareceres possíveis, para dar continuidade às ações necessárias”, informou. O Instituto de Criminalística também foi procurado pela Tribuna para tratar do resultado do laudo do incêndio, através de um dos peritos civis em Limeira, que não terá o nome divulgado, e apurou que em relação ao laudo, o mesmo já está pronto. “A Perita está finalizando a revisão do documento e muito em breve ele será encaminhado à autoridade policial”, explicou. O resultado, porém, não foi divulgado.


Associação diz que aguarda divulgação de laudo final

A Tribuna também procurou a Associação dos Lojistas do Mercado Modelo Benedito Campos Freire, através de seu presidente José Geraldo Benetti, que informou que ainda não conhece o laudo conclusivo sobre o incêndio. Ele disse ter conversado com o delegado do 1º Distrito Policial, o Dr. Francisco Paulo Oliveira Lima, que pediu um pouco mais de tempo para a conclusão dos peritos que atuam no caso, para entregar um laudo completo. “Sabemos que não foi criminoso, mas tudo aponta para um curto-circuito”, disse Geraldo.
Outro assunto tratado nas conversas entre lojistas era relativo ao AVCB. A Tribuna também questionou o presidente da associação, que garantiu que a vistoria estava em ordem e venceria agora em 2021. “Nosso AVCB estava em ordem e deveria ser renovado no próximo mês de maio”, afirmou.
O presidente da associação de lojistas contou, também, que várias reuniões vêm sendo feitas com proprietários desde o incêndio, que em princípio pensaram em montar o Mercadão em outro local, mas se mostrou inviável pelos custos. “Alguns estão com suas lojas montadas, hoje, no entorno do mercado, outros estão funcionando em bairros e têm aqueles que ainda estão correndo atrás do prejuízo e estão com seus comércios parados”, lembrou. Geraldo afirmou, também, que todos estão empenhados na reconstrução do centro comercial e aguardam a finalização de projetos e a palavra final da prefeitura. E, nesta semana que se inicia haverá uma nova assembleia com os proprietários de box para continuar tratando do assunto, conforme informou o dirigente. (Antonio Claudio Bontorim)

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