Senso&Consenso: Mais um chute no bom senso

Senso&Consenso: Mais um chute no bom senso

Uma queda de 27% nos últimos cinco anos. Esse é o retrato da cobertura vacinal no Brasil, entre crianças de 0 a 1 ano. Os dados, alarmantes, diga-se, para um país como o Brasil, que já teve varíola, poliomielite e sarampo erradicados, mas esta última voltou com força, justamente por esses números. Os  dados são de 2019, do PNI (Programa Nacional de Imunizações) e foram divulgados no último dia  9, pela Folha de S. Paulo. Seria ignorância demais, não fosse a tragédia que embala os tempos atuais, nos quais grupos antivacinas espalham fake news pelas redes sociais, levando muitos a acreditarem em notícias enganosas, desrespeitosas. Criminosas.
Coberturas que chegavam aos 95%, como ideal para o controle das doenças, hoje quando muito chegam a 80%. Até menos em muitas das vacinas, que pertencem ao calendário vacinal e são obrigatórias, diferentemente do que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falou a seus seguidores, no cercadinho do Palácio da Alvorada, quando disse que vacina “é uma escolha de cada um, ninguém é obrigado a toma-la”. Afirmação que estimula pais omissos, que devem ser responsabilizados de forma efetiva. Muitos deles embalados no negacionismo do atual governo federal.  Não dá para ficar omisso, perante tamanha idiotice.
São pais que não assumem suas irresponsabilidades, colocam a saúde dos filhos em risco e, principalmente, a dos filhos dos outros também. As vacinas são, hoje, a mais importante forma de prevenção contra as doenças para as quais foram criadas. E muitas outras serão criadas ainda com o aparecimento de novas moléstias. A pandemia do coronavírus deve ser a próxima, porém não tão logo como se prega. Esses pais deveriam ser enquadrados na legislação penal, em crimes como infanticídio. E no padrão humanidade, como genocidas. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) trata com precisão desse assunto, mas anda escondido no ministério de Damares Alves, como tudo que diz respeito a direitos humanos. Outra negacionista, que dá vazão à sua insanidade em cima de um galho de goiabeira.
Não sou médico, já escrevi muito sobre esse assunto em minhas colunas nos jornais pelos quais passei. Principalmente após o surgimento de grupos antivacina, inspirados em coirmãos norte-americanos e europeus. Mas sou pai, embora de filhos já bem crescidinhos, mas cujas carteiras de vacinação estão rigorosamente em dia. Uma há 28 anos e, outro, há 25. É inadmissível, é lamentável, é abominável, que muitos pais estejam, ainda, de forma tão criminosa e grosseira, disseminando essas notícias. Verdadeiras barbaridades que fogem ao bom senso. É desumano!

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