Senso&Consenso: Aqui de novo! Não há como não escrever

Senso&Consenso: Aqui de novo! Não há como não escrever

Há duas semanas escrevi, neste espaço, sobre as ameaças reais e ações que sofri, ao longo do exercício de minha atividade como jornalista. Citei os processos, os nomes dos agentes políticos e, até mesmo, de um agente da segurança pública, que me atormentaram desde o início dos anos 1980. Ameaças veladas, recebidas por recados ou mesmo por e-mail, desde que esse tipo de comunicação instantânea existe, essas a gente guarda, por que afinal das contas são virtuais. Às vezes perigosas no seu conteúdo e contexto, mas sempre exalando covardia por parte de quem assim age. Deixa-se para lá!
A verdade, e para nós profissionais da imprensa nesses tempos de pandemia, é que nunca em tão pouco tempo se agrediu tanto, física e emocionalmente, aqueles que têm o dever de informar, com exatidão e sem o uso das chamadas notícias falsas. Essa, sim, uma epidemia que nos assola desde 2018. Têm nomes, sobrenomes e rostos. E as agressões são diárias e propositais, estimuladas por quem deveria, com todas as suas forças, evita-las, pensando sempre na defesa da democracia. Mas como não se deve esperar consciência de origem na ignorância, mais e mais jornalistas, estejam no front da notícia ou nas redações e estúdios de rádio e TV, conhecem o poder do fanatismo político, que hoje se assemelha aos das crenças religiosas. De fundamentalistas da pior espécie e de todas as vertentes imagináveis.
Ninguém gosta de ser criticado ou exposto em notícias de jornais e revistas, portais ou rádios e TVs. E, nesse caso, a ideologia também nada representa, pois elas vêm das mais diversas cores e bandeiras, da direita à esquerda e vice-versa. O que ataca e agride hoje é o mesmo que bajulou em passado recente. Quando é o adversário quem está na linha de frente dessas críticas, ótimo. Elogia-se e destaca-se a imprensa como pilar da democracia. E, quando ela se volta para o outro lado, aplica-se todos os adjetivos possíveis e imagináveis, para expor veículos de comunicação e seus profissionais.
Por isso o trabalho jornalístico é sempre a primeira trincheira contra a mentira e os mentirosos. Desde ontem até hoje e no futuro também. Os meios de comunicação evoluem constantemente, mas a essência do jornalismo é sempre a mesma, adaptada ao momento em que ele está sendo exercido. Por isso temos essa responsabilidade e a obrigação de saber que a palavra escrita ou falada tem sua própria responsabilidade. E a virulência verbal e a violência física não devem, nunca, intimidar esse exercício da verdade.

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