Senso&Consenso: Tudo novo? Novo como há 50 anos

Senso&Consenso: Tudo novo? Novo como há 50 anos

Ninguém pode duvidar de uma coisa, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) conseguiu cumprir uma de suas mais caras promessas de campanha. Fazer o país retroceder 50 anos, levando-o de volta ao final da década de 1960 e início dos anos 70, auge da ditadura militar. Com o AI 5 em vigor, o país cantando 90 milhões em ação, enquanto nos presídios da repressão o som era de choro, gemidos e gritos de gente torturada. Gente que só ousou discordar das práticas do regime e queria a liberdade, a mesma que hoje ainda temos (esse ainda é uma expressão pessimista), porém não sabemos até quando. Acompanhar a história e tentar entender os dois lados dela é fundamental para que tenhamos nossa consciência tranquila. Para que sejamos capazes de compreender o triste e tenebroso momento que vivemos, mas que muita gente, por ignorância, para ser bastante direto, não compreende.
A leitura por apenas um viés é prova de falta de inteligência. E dá vazão aos mais toscos pensamentos, que hoje acompanha os eleitores, seguidores e fanáticos daquele, ao qual apelidaram de “mito”. Apelido infeliz, por que de mítico Bolsonaro não tem nada. Nem mesmo a compreensão e a dimensão exata do cargo que ocupa e deveria ter. Um mínimo de empatia para demonstrar que é presidente dos brasileiros e não de meia dúzia de intolerantes, raivosos, preconceituosos e outros adjetivos, que acompanham seus seguidores. Nem mesmo um discurso numa organização internacional, de abrangência mundial, ele conseguiu fazer para unir os brasileiros. Estava simplesmente num palanque e falava apenas para seus eleitores. Então, o novo é tão velho quanto a história de 50 anos atrás.
O consolo, por enquanto, é que não temos gente sendo torturada nos porões da repressão, embora o sangue já escorra nas mãos das autoridades. Sangue de famílias inteiras e crianças, vítimas da força oficial. A tortura, hoje, é moral e social, vive-se à sombra de um caminho espinhoso, fomentado por facções religiosas (facções, sim), que pregam o nome de Deus, mas fazem arminha com as mãos, numa imitação barata de um conselheiro-mor, que nem para a carreira militar serviu. Vou citar, novamente, como já o fiz, o livro O ato e o fato, do jornalista Carlos Heitor Cony, que, finalmente, terminei sua leitura. E não é pedir muito, de minha parte, para que aqueles que querem entender o que estou escrevendo, leia-o com atenção do começo ao fim. Uma seleção de crônicas que Cony publicou, entre a última semana de março até dezembro daquele fatídico 1964, no Correio da Manhã, do Rio de Janeiro.
Qualquer semelhança no contexto das crônicas com os dias de hoje não é mera coincidência.

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