Senso&Consenso: Liberdade, coerência, democracia e rótulos

Senso&Consenso: Liberdade, coerência, democracia e rótulos

Mais que o respeito, a responsabilidade. Não há outra forma de definir como deveria agir um governante, que elogia torturadores e a tortura e tripudia sobre os torturados e suas famílias, através de palavras de significado duvidoso e, acima de tudo, sem qualquer tipo de comoção. Não é possível, mesmo que quiséssemos ou fôssemos censurados, manter o silêncio em torno de uma situação que está no limiar de uma barbárie (se já não chegou nela), protagonizada por um presidente da República, democraticamente eleito, atravessando seu sétimo mês de governo, mas que não desce do palanque eleitoral. Sob qualquer hipótese. E, ainda adulado por parte de seus adoradores e seguidores mais fanáticos e, principalmente, os violentos, aos quais ele estimula com mais violência ainda.
Não há, com certeza, nova política nisso tudo. Não há sequer política na forma como o presidente Jair Bolsonaro vem tratando o país e os brasileiros que dele discordam. Aprendi, ao longo dos meus mais de 40 anos de experiência profissional, outros tantos de universidade e nos de pós-graduação também, que o direito à livre expressão do pensamento, externado nas mais diversas opiniões, é um preceito constitucional (aliás, não é preciso estar numa universidade para saber disso), independentemente de sua cor ideológica ou partidária. Se eu tenho direito à crítica e ao externar dos meus pensamentos, o meu semelhante também tem, na igual proporção. Daí a importância de uma imprensa livre, que abrigue todas as correntes ideológicas (dentro da razoabilidade e da coerência), através do pluralismo de ideias, porém sem ofender ou menosprezar ninguém. Esse é o significado do jornalismo.
Por isso que, como editor da Tribuna de Limeira, prezo e garanto esse direito a todos aqueles que por ventura queiram compartilhar suas opiniões. Quando não puder mais exercer essa prerrogativa, pego meu boné e saio pela porta da frente, a mesma que entrei para o jornalismo, lá em meados dos anos 1970, quando iniciei a faculdade. Tanto que mantemos uma página 2, de opinião, sem restrições, desde que não haja ofensas pessoais ou institucionais. Empresários, sindicalistas, jornalistas, analistas políticos, professores, políticos entre tantos outros profissionais, à direita, ao centro e à esquerda, sempre terão espaço para expor aquilo que pensam. É essa liberdade que sustenta a democracia. E é essa coerência que garante essa liberdade. E sempre agi dessa forma por todos os meios de comunicação por onde passei.
Não assumir uma postura perante o que está se tornando este país, pelo sim ou pelo não, é permitir que o retrocesso se instale de vez por aqui. Rótulos? Esses servem apenas para definir produtos em supermercados.

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