VIOLÊNCIA EM LIMEIRA: Índice cai pela primeira vez em 5 anos

VIOLÊNCIA EM LIMEIRA: Índice cai pela primeira vez em 5 anos

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Pela primeira vez, desde que o IECB (Índice de Exposição a Crimes Violentos), do Instituto Sou da Paz começou a ser divulgado, em 2014, Limeira está entre os municípios com mais de 50 mil habitantes (que são escolhidos pela amostragem), nos quais os índices caíram. Os dados são de 2018 e foram divulgados em maio pelo Instituto Sou da Paz, criado em 1999, que começou dois anos antes, em 1977, com a campanha Sou da Paz, por alunos do curso de direito da USP, pelo desarmamento. Limeira caiu da 50ª posição, em 2017, para 13,3 no ranking dos municípios do interior paulista, no ano passado. A queda foi de 26,11% em relação a 2017, que foi de 18. A Tribuna de Limeira teve acesso ao estudo, publicado no site do Instituto, que trouxe, ainda, os 139 municípios, que se enquadram na pesquisa. Limeira faz parte do grupo de 79 onde houve queda no IECB, o que representa uma queda de 57%, no geral, em relação a 2017.
Segundo o Instituto Sou da Paz, entram no Ranking de Exposição a Crimes Violentos, crimes letais (homicídios, feminicídios e latrocínios), sexuais (estupro) e contra o patrimônio (roubos, furtos entre outros). Essa queda nos 79 municípios representa um porcentual de 57% em 2018, em relação a 2017. Desde 2014, Limeira nunca havia caído abaixo de 17 no índice. Em 2014 era 17,2; em 2015, 18,7 (o maior índice registrado); em 2016, 17,8; em 2017, 18 e, no ano passado, 13,3. Na região, apenas Rio Claro é a pior colocada que Limeira, ficando na 97ª posição, com o índice de 20,7. Melhores colocadas que Limeira estão Artur Nogueira, em 31ª, com 13,2; Araras, em 16ª, com 10,9; Piracicaba, em 14ª, com 10,8; Americana em 10ª, com 9,7 e Santa Bárbara, na 6ª colocação, com 9,0. Entre todos os municípios ranqueados, Vinhedo está na primeira colocação, com o índice de 5,9 e, Itanhaém, no Litoral Sul paulista, na 140ª, com 48,8. O ranking foi desenvolvido pelo Instituto Sou da Paz em parceria com o Estadão.

INÍCIO DE TUDO
O Sou da Paz teve início em 1997, quando um grupo de estudantes de direito da USP (Universidade de São Paulo), começou uma campanha pelo desarmamento, um debate até então, conforme a história do movimento, desconsiderado no âmbito da segurança pública. Principalmente por que um estudo da ONU (Organizações das Nações Unidas), de 1996, apontava o Brasil como o país onde mais se matava por armas de fogo em todo o mundo. Ou seja, um fator de risco que aumentava significativamente as mortes violentas no país era o grande volume de armas em circulação e uma cultura de valorização das armas de fogo. À época, apoiaram a inciativa a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ILANUD (Instituto Latino-Americano para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente), da ONU, Comissão de Justiça e Paz entre outros. Jornalistas, artistas, publicitários e esportistas também aderiram ao Sou da Paz, que em poucos meses recebeu mais de 3,5 mil armas na cidade de São Paulo. Após o Congresso Nacional começar a priorizar essas demandas, o grupo que idealizou a campanha decidiu ampliar seu escopo de atuação, colocando em prática uma visão inovadora sobre segurança pública. Em 1999 foi criado o Instituto Sou da Paz.

 “Rigor científico e trabalho harmônico entre forças que atuam na segurança”

Para entender a situação e o resultado técnico do trabalho do Instituto Sou da Paz, a Tribuna foi ouvir um especialista no assunto. O doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, pelo Centro de Altos Estudos da Política Militar e coronel da reserva remunerada da PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo), Humberto Gouvêa Figueiredo, que comandou o 36º BPMI, de Limeira, além do comando do Policiamento do Interior – 9 (região de Piracicaba) e Interior – 3 (Ribeirão Preto) e da Escola Superior de Soldados (São Paulo). De acordo com ele, “é preciso dizer que merece muito crédito o estudo que realiza o Instituto Sou da Paz, a partir de um indicador desenvolvido pelo IECB, pois há um rigor científico muito grande na coleta dos dados e na sua verificação, servindo como uma referência muito interessante para aferir os níveis de (in)segurança pública”.
Segundo o coronel da reserva Humberto Figueiredo, que hoje reside na Espanha, ele também levou em consideração a experiência que teve à frente da PM em Limeira, e posteriormente, da Região, em Piracicaba. Para ele, os resultados que a cidade alcança agora é resultante de uma série de iniciativas, que já vêm sendo adotadas ao longo de muitos anos das quais  destaca algumas. “O trabalho integrado e harmônico que existem entre as forças de segurança, entre as polícias estaduais e estas entre a GCM (Guarda Civil Municipal), que pode ser notado no número de operações policiais realizadas em conjunto”, afirmou, além da participação de todos os órgãos de segurança pública no planejamento operacional, nas chamadas Reuniões de Análise Crítica, realizadas mensalmente.
Outro destaque dado por Figueiredo é no que diz respeito a atuação dos Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança), ligadas à Secretaria de Segurança Pública, que é muito forte em Limeira, servindo como um instrumento de interlocução muito interessante das polícias com a comunidade. O especialista destaca, também, o incremento de instrumentos de prevenção criminal pelo poder público municipal. “Em Limeira a prefeitura sempre foi muito presente na Segurança Pública, quer seja mantendo e equipando a sua GCM, quer seja realizando investimentos na área, como por exemplo, a instalação de câmeras de vídeo-monitoramento”, lembrou. O doutor em ciências da segurança, bastante ligado ao que acontece em Limeira, citou também da atenção a políticas públicas na área de segurança, através de políticos para temas sobre segurança, comentando sobre a atuação da vereadora Erika Tank (PR), pela iniciativa do botão do pânico, entre outras iniciativas da própria Câmara de Vereadores, por valorizar e reconhecer o trabalho policial.
“O fato de que quase maioria dos policiais militares e civis, sejam os que estão no comando ou aqueles que atuam na atividade operacional moram e convivem na cidade, contribui ainda mais para vivenciar e conhecer os problemas da cidade”, afirmou. Para ele, a segurança pública não é um tema que diz respeito apenas à atuação da polícia, razão pela qual afirma que não se deve ser capitalizado pelas instituições, quando os números são bons, nem deve ser as polícias as únicas a serem cobradas quando houver o insucesso. “É fundamental que haja uma integração das forças policiais, um alinhamento entre o estado e município e, principalmente, que haja o envolvimento da comunidade”, finalizou. (Antonio Claudio Bontorim)

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