Senso&Consenso: Quem vai pagar esse pacto?

Senso&Consenso: Quem vai pagar esse pacto?

Antonio Claudio Bontorim
Jornalista
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Uma das palavras mais faladas nesses últimos dias, desde o início da semana, é pacto. Após as manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que se não foram expressivas ou catalisadoras da vontade da maioria da população, mostraram que há uma parcela que ainda acredita nele, esquecendo-se, inclusive, do PT, que sempre foi o mote do seu grupo político. Ao chamar os presidentes dos outros dois poderes da República, foi Bolsonaro quem capitulou, sentindo-se – ou pelo menos precisando – na obrigação de não se indispor ainda mais com Câmara e Senado, que compõem o Legislativo, e com o Judiciário, na pessoa do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli. Mesmo por que esses outros dois poderes haviam sido alvos dos manifestantes e, de certa forma, endossado por Bolsonaro.
O pacto, a que se propõe o presidente é, na verdade, uma forma de tirar Legislativo e Judiciário do protagonismo, que ambos devem ter dentro dos princípios básicos republicanos, tentando mostrar força e, principalmente, que num estalar de dedos, ambos se curvam perante ele. Embora que, com Dias Toffoli na presidência do STF, a Suprema Corte Brasileira se tornou mais dócil, não acredito que outros ministros, os mais sérios, se ajeitariam nesse propósito. Câmara e Senado, por sua vez, ávidos por cargos na Esplanada, nem de longe darão a trégua que Bolsonaro deseja, pois já perceberam as intenções do Executivo. E, principalmente, por que não há pacto construído sem a participação da sociedade e de instituições representativas dessa mesma sociedade.
Um verdadeiro pacto pelo desenvolvimento requer, obrigatoriamente, a participação da população como um todo, que é quem mais entende de suas próprias necessidades. Das instituições representativas que sempre lutaram pelas liberdades individuais e pela transparência do processo decisório. Precisa, sobretudo, de uma imprensa livre, para que 1964 fique apenas no passado, já bem ultrapassado, embora o saudosismo ainda alimente o desvario dessa gente. Tudo o que vem de cima para baixo, é mais que sabido, só serve para alimentar egos e vaidades. O país não precisa de um pacto entre três poderes, para garantir a hegemonia a cada um deles e seu pleno funcionamento sem sobressaltos. Precisa, sim, de soluções estratégicas que passem longe dessas esferas e cheguem ao cotidiano de cada brasileiro, em cada canto do país. Mais que isso, é preciso atender às necessidades de todos aqueles, que estão inseridos na realidade nacional, mas sem prescindir da classe política. Bem ou mal, ela ainda é a essência da democracia.

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