Senso&Consenso: Quartelada da mentira… 1º de abril!

Senso&Consenso: Quartelada da mentira… 1º de abril!

Antonio Claudio Bontorim
JORNALISTA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Se promessa é dívida, essa não é mais. Está cumprida e com apenas cinco meses de governo. O levar o país como ele era há 50 anos. Se a revolução de 31 de março fez 55 anos em 2019, lembrar-se de seu transcurso é dolorido para muita gente. É um regozijo para os postuladores da ditadura militar. Os amantes de Brilhante Ulstra e aqueles que apoiaram sua existência, às famílias que marcharam com Deus, mesmo servindo ao diabo e àqueles que a querem de volta. Os anos de chumbo, que para muitos foi de progresso e crescimento, por que não tiveram entes perseguidos, torturados e mortos, quem melhor trata a revolução de 31 de março – “ou quartelada de 1º de abril” – é o jornalista Carlos Heitor Cony.
Falecido recentemente, ele era ferrenho crítico da esquerda, de João Goulart e seus seguidores e, muito mais ferrenho, ainda, tornou-se dos militares que assumiram o comando do país. E por que iniciei o texto comentando sobre a promessa de atrasar o país em 50 anos, feita por Bolsonaro durante a campanha eleitoral do ano passado? Muito simples e bastante curioso e interessante. Justamente por que, entre abril e maio de 1964, uma série de crônicas diárias que Cony escreveu para o jornal carioca Correio da Manhã, transformou-se em livro: O ato e o fato – O som e a fúria do que se viu no Golpe de 1964 (há uma edição de 2014, a 9ª, do acervo da Nova Fronteira, à qual estou lendo). Foi ele um dos mais ácidos críticos da “quartelada”, conforme batizou o movimento. Outra pergunta: o que tem o governo Bolsonaro com as crônicas de Cony? Mais simples ainda. Tudo e um pouco mais.
Devidamente datadas no livro, entre os dias 2 de abril e dezembro de 1964, todas elas têm muito em comum. E a principal coincidência é justamente a semelhança entre os primeiros dias dos militares no poder e esses primeiros cinco meses do atual governo, com exceção das prisões, torturas e desaparecimentos. A semelhança entre as atitudes e o discurso, pelo qual trata Cony, é de uma verossimilhança inacreditável, tendo em vista o que aconteceu há mais meio século e o que acontece hoje. E só como aperitivo, sobre o general Costa e Silva, então ministro da Guerra, ele escreveu: “Com o farto material fornecido pelo general Costa e Silva eu poderia escrever dias e dias sobre as ingenuidades políticas, as tolices ideológicas e a nenhuma cultura do nobre líder revolucionário”. Qualquer coincidência com os dias de hoje é mera semelhança. Recomendo a leitura.   Estou preparando um texto mais detalhado para meu perfil no Facebook, com outros trechos das crônicas de Cony, mas a leitura do livro é imprescindível.

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