Senso&Consenso: Guerra fria, Cuba e atraso cultural

Senso&Consenso: Guerra fria, Cuba e atraso cultural

Antonio Claudio Bontorim
JORNALISTA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Enquanto países comunistas como a China, para citar apenas um exemplo, expandem sua economia praticamente capitalista, o Brasil se encolhe numa guerra ideológica só mesmo comparável aos anos da guerra fria, patrocinada por Estados Unidos e a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. EUA X URSS num embate que nunca saiu de uma disputa da propaganda oficial, entre o capitalismo e o socialismo. Ou comunismo, como os brasileiros estão, agora, voltando a relembrar, por conta da onda de ideologização, que só traz atraso e descrédito ao país, como se tem visto através da imprensa mundial. E Cuba volta a ficar no centro das atenções, por que vez ou outra – e quase sempre – é possível ler em mensagens tão ridículas quanto ridículo é esse embate sobre esquerda e direita, que o novo governo estimula sem entender as consequências – na maioria das vezes desastrosa – sobre suas palavras, pessoas mandando outras viverem em Cuba, na Venezuela, China e por aí afora. Como se fosse uma ofensa ou um vai “se ferrar”, para não dizer outra coisa.
Uma pequena ilha no mar do Caribe, na América Central, cujo regime perdura por 50 anos, pouco mais, e que tanto assusta seus parceiros americanos (aqui é bom se lembrar de embutir todos os países do Continente), a ponto de ser citada como exemplo perigoso e que precisa ser combatido. Que mal poderia causar? Gostaria de saber qual o fascínio e o medo que Cuba leva à cabeça das pessoas, a não ser por conta do retorno de uma contenda entre o atraso cultural e a ignorância latente de muita gente, que não tem outros argumentos factíveis a não ser mandar “morar em Cuba”. O que significa essa expressão? Sinceramente não consigo explicar, a não ser justamente pelo atraso cultural, que citei acima. E não é questão de regime de governo, se é democracia ou ditadura, se há censura à imprensa ou não, mas simplesmente por que voltou à moda citar Cuba, para assustar as criancinhas que fazem travessuras. “Cuidado, se você não fizer a lição direito, vai morar em Cuba”… ou “nana, neném, que Cuba vem pegar…”
A mais pura expressão de um senso comum tão primário, como usar, em um mundo globalizado, a ideologia como gargalo ou filtro para limitar o ir e vir de cidadãos através de muros ou fechamento de fronteiras, para que o país não seja invadido por estrangeiros de ideologias contrárias às vigentes. Isso não existe. É do mesmo tamanho daqueles que enxergam na cor vermelha o símbolo da degradação política. Ninguém, em sua sã consciência, quer parecer ignorante. Mas boa parte, inconscientemente ou não, está assinando e reconhecendo firma do próprio atestado de ignorância, por que deixaram os limites da própria expressão do pensamento, para tentar moldar o pensamento dos outros.

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