Senso&consenso: Ebulição em fogo brando na Câmara

Senso&consenso: Ebulição em fogo brando na Câmara

Antonio Claudio Bontorim
JORNALISTA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Começou cedo demais à disputa eleitoral para 2020 em Limeira. Por mais distante que o tempo indique, até outubro do ano que vem, há uma visível preocupação em marcar território, mesmo com argumentos contrários, que significam um “sim envergonhado” no lugar do “não mentiroso”. Quem entra na política ou dela se locupleta até chegar ao poder, não pode nunca falar dessa água não beberei, mesmo que seja lama pura. A sede é maior que o copo e o vale tudo vai muito além das necessidades do cidadão. Há, na Câmara, um movimento forte hoje – e nem eu acreditei que fosse possível isso acontecer – de oposição à administração Mario Botion (PSD). Encabeçado por antigos aliados, que com certeza não tiveram seus pleitos atendidos, a impressão é que ela se fortalece com o passar dos dias e pode realmente causar incômodos.
Os últimos movimentos dos vereadores nas sessões ordinárias e nos bastidores da Câmara indicam que pode haver uma disputa fratricida. Mais que isso, centrada numa batalha verbal que há muito tempo não se via, desde as disputas envolvendo os grupos de D’Andréa (Paulo D’Andréa, ex-prefeito e já falecido) e Paixão (Jurandyr Paixão, também ex-prefeito e falecido). Tempos em que o discurso era a principal arma dos dois políticos, que se digladiavam, cada um à sua maneira. Apesar de algumas inversões e de vereadores que estavam na oposição e hoje votam com o governo, como é o caso de Wagner Barbosa (PSB), até há pouco fiel escudeiro do ex-prefeito Paulo Hadich, do mesmo partido, alguns vereadores começam a se movimentar e podem causar muita instabilidade dentro do atual governo. O que, diga-se, não é difícil de acontecer. Outro ex-prefeito, o quarto agora citado por mim, estaria nos bastidores, costurando essa base oposicionista e direcionando os discursos. Silvio Félix (PDT), que sonha com o dia em que poderá voltar, mas deve jogar a responsabilidade nas costas do filho, Murilo Félix.
Na linha de frente desse front político, quem vem dando os devidos golpes é o vereador Marcelo Rossi (PSD), descarregando um caminhão de ataques ao prefeito, que por incrível que pareça é do mesmo partido. Ou seja, um fogo amigo, nem tão amigo assim. Desde os desdobramentos da CPI da Saúde, proposta por Rossi, a relação entre os dois azedou, mas nos bastidores esse desacerto vem de antes. De muito antes. Apesar de numericamente inferior à bancada governista e nem de longe representar perigo às votações, o barulho, entretanto está sufocando a situação, que não se apresenta com uma linha de defesa eficiente e convincente. Sem contar que, assim que as eleições se aproximarem mais, poderá haver novas deserções, dependendo de como vai estar à popularidade e os índices de satisfação com o Poder Executivo.

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