O Legislativo é o retrato da sociedade, desenhado pelos eleitores

O Legislativo é o retrato da sociedade, desenhado pelos eleitores

Tarcílio Bosco
Professor de Judô
E-mail: judobosco@gmail.com

Na última oportunidade em que utilizamos este espaço, levantei alguns pontos para reflexão sobre a ingerência de um Poder no outro, e o que isso pode acarretar no futuro, sobretudo quando o poder que tem como função constitucional o controle das leis passa a interferir nas questões internas daquele que possui a atribuição de criá-las. Hoje quero falar sobre a falta de credibilidade do Poder Legislativo, e quais as nossas responsabilidades, enquanto cidadãos, neste processo.
Existe hoje um movimento no Brasil impulsionando a queda de confiança da população no legislativo. Isto se dá muito pela própria atuação dos parlamentares, pelo histórico do país na questão da corrupção, sobretudo envolvendo negociatas entre Executivo e Legislativo, mas também por outros fatores, como os interesses de alguns setores em demonizar a atividade política para afastar a população dela e justificar certas arbitrariedades, ou a falta de interesse da população em acompanhar, e principalmente entender que, se queremos um legislativo decente, precisamos ocupá-lo com gente decente.
É sobre este último item que quero refletir: é comum ouvirmos e até falarmos: “são todos iguais, ninguém presta, são desonestos” quando nos referimos a parlamentares. Porém, quando chega a época da eleição, nós votamos em quem presta? Por exemplo, quando votamos para vereador, que é quem vive do nosso lado, mora na nossa cidade, e tem que legislar diretamente em questões que afetam a nossa rotina, nós votamos no nosso amigo, no amigo do nosso amigo, votamos para ganhar alguma vantagem pessoal, um jogo de camisa, um churrasco, uma promessa de emprego, ou nós votamos em quem acreditamos ter capacidade para o trabalho no legislativo? Se eu digo que ninguém presta, é correto votar em quem prometeu vantagem pessoal para mim? Gritamos que são desonestos, mas na hora da urna, votamos em gente honesta?
Quem elege somos nós. Não adianta votarmos em quem já começa errado e depois exigirmos ética. Se queremos um bom Poder Legislativo, devemos preenchê-lo com pessoas boas. Enquanto os bons não estiverem ocupando os lugares que decidem, votarem, fiscalizarem, criarem leis pelo bem do povo; enquanto virarmos as costas e deixarmos a política ‘pra lá’; enquanto esperamos a eleição para conseguir um favorzinho de algum candidato em troca de voto, o espaço será ocupado por pessoas ruins. O legislativo é o retrato fiel da sociedade, desenhado a cada quatro anos pelas mãos dos eleitores. Vamos pensar nisso?

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