Liberdade… e Liberdade

Liberdade… e Liberdade

Não dá para pensar na imprensa sem a liberdade que ela deve ter e que é, diga-se de passagem, uma garantia constitucional do pós-ditadura. De qualquer lugar que a censura a venha é por si só uma violência contra os direitos individuais e, principalmente, ao direito de informação do cidadão. Quando um órgão de imprensa, seja ele de qual vertente ideológica for – pois todos têm, sim, suas próprias ideologias – sofre um atentado e têm matérias publicadas censuradas, é por que o fundo do abismo está próximo. A quem afetar, estará afetando a todos e é preciso que o meio não se esmoreça e nem dê aval a qualquer tipo de limitação da liberdade de informar.
Ações como a do STF (Supremo Tribunal Federal), contra a revista eletrônica Crusoé e o site O Antagonista, e mais lá atrás de outro juiz, que garantiu salvo conduto à família Sarney, contra o Estado de São Paulo, apesar da distância temporal que as separam, têm a mesma conotação: intimidação e tentativa de marcar terreno, de forma sintomática, de uma autoridade que deveria, pela própria atribuição, ser a guardiã da Constituição Federal e de todos os direitos e garantias individuais. Para quem já sofreu com a censura não é difícil situar – e se situar – no tempo e no espaço os danos que tudo isso pode causar. Isso sem contar a censura econômica, essa mais afrontosa ainda.
A repercussão da decisão do ministro Alexandre Moraes, do STF, foi muito maior que as matérias por ele censuradas. Principalmente por que os principais órgãos da mídia nacional, emissoras de TV, rádio e jornais, voltaram o foco sobre o fato que originou a censura, divulgando o seu conteúdo e as informações periféricas sobre ele. E, nesse caso, não houve tempo para censurar a própria repercussão. Essa, entretanto, não é uma atitude isolada. E nem exclusiva de autoridade judicial. Está intrínseca na própria existência da mídia em si, quando outros órgãos de imprensa são atacados, seja por censura ou mesmo de forma verbal. É sabido que, quando uma notícia ou opinião incomodam, é por que há mais verdade nela, do que se pode imaginar.

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