Senso&Consenso: Tempos de refletir e se expressar

Senso&Consenso: Tempos de refletir e se expressar

A questão das redes sociais e jornalistas que trabalham para órgãos de comunicação e mantém perfis ativos é bastante controversa. Há quem defenda que o profissional não pode – e nem deve – se expor nas redes para não desviá-lo do foco ou se tornar parcial. Para não comprometer seu profissionalismo. Suspeição que significa reduzir a capacidade de saber a diferença entre o próprio pensamento e a atividade que exerce. Há profissionais que não têm redes sociais e são conhecidamente antiéticos que extrapolam sua condição de isenção ou a própria objetividade. A isenção – ou imparcialidade – é uma mera questão retórica utilizada por muitos para inibir o desenvolvimento das ideias, que possam contrariar esse ou aquele segmento de mídia. Enorme besteira é afirmar que um profissional não possa ter sua rede social, seu blog ou site. Ideias antiquadas que não cabem nem em museus, quanto mais na contemporaneidade desses tempos de agilidade da comunicação.
Grandes emissoras de televisão, como a Globo, por exemplo, e agora a Band, têm manuais de conduta, que mais se assemelham à censura da ditadura militar, do que propriamente a uma empresa que transmite notícia, informação, conhecimento. Nenhum desses três substantivos sobrevive à uma posição de imparcialidade de seu autor, para agradar aos barões da mídia. Ou à sua linha editorial, que de isenta não tem nada.  Suprimir o direito ao livre arbítrio no seu próprio espaço é o mesmo que ditar regras de como você deve agir dentro da sua própria casa. Quanto mais o jornalista se manifestar também fora das quatro paredes de uma redação, mais ele terá discernimento do que pode ou não pode fazer, quando tiver que emitir uma opinião. Ele precisa ter esse discernimento para poder crescer e desempenhar sua atividade, hoje de extrema importância, perante a onda de falsos profetas, que aparecem diariamente, querendo impor uma linha de pensamento linear, onde é proibido ter uma visão em 360°.
O que difere, então, hoje, e pela facilidade de circulação da informação, um blog de uma rede social? Ambos são assinados, têm um perfil real, se bem intencionados, e servem ao mesmo objetivo: a opinião e a informação. E quantos profissionais têm seus blogs longe de suas redações? Milhares. Contribuindo para a formação da opinião pública, quando o assunto é de interesse de todos. Não há, pois, como limitar a expressão do pensamento. Seja de quem for e onde esse profissional estiver. Não é possível mais que esse tipo de trava limite a capacidade de jornalistas, quando estes têm a facilidade de expor suas ideias. Limitação burra, esta!

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