Senso&Consenso: A imprensa, o fato e o que interessa

Senso&Consenso: A imprensa, o fato e o que interessa

A leitura é uma arte. Não é apenas colocar uma letrinha após a outra, formar uma frase, um período e um parágrafo completo e dar sentido a todas elas, como se fosse um apenas uma atividade mecânica. A leitura é muito mais que isso e demanda percepção. A leitura é, sobretudo, a contextualização daquilo que se lê. E a interpretação da leitura sem contextualizar o que está escrito, é uma prova da incapacidade de discernir entre o real, o concreto e a ficção. Explico: quanto mais a pessoa lê, mais ela vai entender a importância da leitura e sua função principal, que é trazer o conhecimento, a cultura, a compreensão da realidade e a pluralidade das ideias, que tem se mostrado tão comprometida justamente pela falta da leitura.
Ler é fundamental ao próprio desenvolvimento cerebral. São todos os aparelhos de uma academia juntos, fazendo com que estimulemos nossos neurônios, para que eles se fortaleçam e nos ajudem a entender o próprio sentido de tudo que nos cerca. E esse título que dá vida a este artigo é uma síntese de tudo o que está acontecendo hoje, em relação à arte de ler. A imprensa nos traz a impressão da realidade – exata ou ficcional – pelas mais variáveis possibilidades de entendimento e contextualização. O fato gerador, que dá origem ao texto e, posteriormente, à leitura, nos traz de imediato àquilo que nos interessa. Ou não! E é a percepção de cada leitor que vai determinar se lhe interessa, ou não, determinada leitura. E é nesse ponto que entra um erro grosseiro: a leitura torta e desvirtuada do seu principal sentido, que muito têm daquilo que leem.
Trata-se, hoje, de uma parcela da população, que gosta ou se preocupa em ler apenas o óbvio, sem a curiosidade de saber que há muita leitura pela frente e pela própria preguiça de pensar. A curiosidade é que traz o conhecimento. Só leem o que lhes convêm, repudiando tudo mais, que os desagradem ou, então, não contextualizando essa leitura “desagradável” como deveria. Ler um pouco de tudo e sentir que a pluralidade de ideias enriquece esse conhecimento, com certeza, seria uma ótima saída para prevenir os menos avisados contra erros em citações, números e notícias, que são, em grande parte, falsas e, posteriormente desmentidas. Ninguém gosta de ser confrontado, quando a opinião é contrária à sua. O que não dá, também, o direito ao desrespeito a essa opinião contrária. É típico do despreparo dos que se fecham no mundinho do senso comum e de lá não saem mais. E as mídias sociais escancaram essa situação com precisão. O volume diário de informações cresce a cada dia e, por isso, merece esse tipo de análise. E a boa leitura é fundamental para essa compreensão.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*