A covardia de sempre

A covardia de sempre

De muitas tragédias anunciadas, e todas com grande comoção, desde os grandes incêndios na década de 1970, os edifícios Andraus, em 1971 e Joelma, em 1974, em São Paulo, o Elevado Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro, também em 1971 e, mais perto de nós, o Edifício Luiz de Queiroz, o Comurba, em Piracicaba, em 1964, as mais recentes sempre vão abalar mais. Justamente por que são recentes, contra uma história já passada, mas que também marcou para sempre a vida de muita gente, naqueles respectivos anos. Acontecimentos que, não se pode responder agora, pudessem ter sido evitados. Dos mais recentes, a Boate Kizz, Mariana e Brumadinho, ambas em Minas Gerais, e está última ainda no primeiro mês deste ano.
Como se tudo isso não fosse suficiente, agora uma em especial, e bem mais recente, ainda na última sexta-feira, 8, que marcou definitivamente a vida dos limeirenses. Em especial a de uma família inteira: o incêndio no CT do Flamengo, o chamado Ninho do Urubu, por ter ceifado a vida de um jovem limeirense, de 16 anos (e mais nove meninos), o volante das categorias de base do próprio time carioca, Rykelmo de Souza Viana, sepultado na última segunda-feira, 11. As três anteriores e mais esta, que poderiam ter sido evitadas, com ações preventivas tão básicas, que é difícil acreditar que tenham acontecido. Que mistura falta de ação das autoridades de segurança, descaso e ausência de fiscalização dos órgãos públicos, sempre atentos quando há multas a serem aplicadas, mas fazem vistas grossas, quando não lhes interessa mexer com determinados setores sociais.
E quando acontece o pior, o jogo de empurra acaba atrasando a apuração de fatos, que exigem respostas rápidas. E os culpados quase nem sempre são punidos. Muitos são até afagados com tapinhas nas costas. Autoridade deveria ser autoridade. Fazer o que tem fazer, com coragem. Com determinação. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito tucano, Bruno Covas, colocou as vistorias nos viadutos em sigilo contratual. Ninguém pode alertar sobre possíveis problemas. E se esse sigilo custar novas vidas? É bom que todos pensem nisso.

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