SISTEMA S: O que pode acontecer com entidades em Limeira

SISTEMA S: O que pode acontecer com entidades em Limeira

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

O anúncio do novo governo, através de sua área econômica, tendo a frente o super-ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o Sistema S (Sesc, Senac, Sesi, Sebrae, Senai, Sest-Senat, Senar e Sescoop) está assustando os órgãos representativos das empresas. A ideia é cortar entre 30% e 50% os repasses aos órgãos e, além do fim da obrigatoriedade de pagamento pelas empresas, também retirar a contribuição da lista de recolhimentos compulsórios, que incidem sobre a folha e salários. Em Limeira, cinco desses serviços podem ser afetados, refletindo na prestação de serviços educacionais e de lazer, como é caso do Senac, Senai, Sebrae, Sest-Senat e Sesc, este último já com área e projetos definidos para sua instalação no município.
Segundo representantes do setor, o corte linear dos repasses, de 30%, que é uma das possibilidades para enxugar o setor, de acordo com Guedes e seus assessores, provocaria um grande dano no maior sistema de educação técnica e profissional da América Latina. Ao longo da semana, a Tribuna de Limeira tentou ouvir todas essas entidades, representadas no município, para tentar entender onde esses cortes poderiam afetar os serviços prestados na cidade. O Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), através de sua assessoria de imprensa, afirmou que só iria se pronunciar, sobre as mudanças cogitadas nos repasses ao sistema, após a confirmação ou não das alterações. “Essas análises de impacto será feita de maneira nacional e não levando em conta as unidades pré-estabelecidas nos municípios”, informou a nota.
O diretor regional do Sesc-SP em exercício, Luiz Galina, também falou à Tribuna sobre a questão de possíveis cortes nas entidades, lembrando que é preciso acabar com uma confusão que trata cada um dos serviços dentro de um sistema único, o seja o chamado Sistema S. “Cada entidade é uma entidade, com diretriz própria, objetivos específicos, governanças independentes e atuação diferente. Trata-se de um erro que foi multiplicado e, hoje, até o TCU [Tribunal de Contas da União] usa essa terminologia”, explicou Luiz. Ainda de acordo com ele, o nome oficial, como está no artigo 240 da Constituição Federal, é Serviços Sociais Autônomos. “Justamente por serem independentes e cada um com uma finalidade própria”, lembrou
Segundo o diretor regional do Sesc-SP, por enquanto são notícias, declarações de ministros e assessores, mas até agora não houve nenhuma proposta concreta sobre o assunto. “Mesmo assim estamos abertos ao diálogo e, com certeza, a hora que mostrarmos nossa importância social e aquilo que fazemos, que nenhum governo tem condições de fazer, eles vão entender que nosso trabalho é essencial ao desenvolvimento social, educacional, cultural e até no atendimento à saúde”, comentou, para finalizar: “pensar num corte entre 30% e 50% é suicídio, por que não há como tirar esse dinheiro sem prejudicar esse trabalho que hoje fazemos. E se o Sesc e as outras entidades não fizerem, ninguém, com certeza, vai fazer igual”.

SESI/SENAI
Já o diretor titular da Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Jairo Ribeiro Filho, disse que os cortes nos meios de arrecadação do Sistema S é um estudo e não tem nada decidido ainda. “A meu ver, eu acho que o governo federal conhece a importância do trabalho do Sistema S, não só o Sesi e Senai, como também o próprio Sesc e Senac, que são muito importantes para toda sociedade”, afirmou. O líder empresarial acredita que, se houver, não será um corte que possa afetar o básico das operações das escolas. “Por outro lado, aquilo que o governo está alegando que possa ser um exagero na qualidade, por exemplo, no padrão dos prédios, no gasto com os salários dos professores, itens que o governo alega que tenha excesso, pode ser que haja alguma mudança”, lembrou.
Segundo Jairo Ribeiro, tudo que se falar agora é especulação, e hoje a preocupação de que, havendo corte, naturalmente vai ter que vai haver mudanças na gestão do recurso para que o sistema não pare. “Com relação ao diálogo, é óbvio que na esfera das lideranças, sejam do governo seja das entidades patronais que administram esse recurso, já estão havendo conversas. O assunto ainda é muito incipiente, mas já estão havendo conversas no sentido de que se chegue a um entendimento”, comentou, para finalizar: “eu particularmente acredito que o governo federal não será irresponsável de fazer algum corte onde afete a qualidade da educação, do ensino e do lazer. No caso do Sesc, por exemplo, eles têm uma atuação muito forte no lazer e nas áreas social e cultural em São Paulo, então não acredito que esse corte prejudique o andamento das ações que estão bem estruturadas”.
A Tribuna procurou também o Sebrae-SP, o Sest Senat, que integram esses serviços  e tem unidades em Limeira, para falar do assunto. Através de contato telefônico com a gerência regional do Sebrae, em Piracicaba, foi solicitado um e-mail com os questionamentos, feitos sucessivamente e solicitando um retorno. Já com o Sest-Senat, também procurado por telefone, afirmou que o diretor da unidade retornaria a chamada. Em ambos os casos, até o fechamento desta edição, nenhum deles retornou.

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