Senso&Consenso: Que venha 2019. O ano das provações

Senso&Consenso: Que venha 2019. O ano das provações

A pouco mais de 48 horas de dar adeus a 2018 e boas vindas a 2019, um ponto de interrogação está explícito no semblante de todos. A mudança política que vai irromper nas primeiras horas do novo ano ainda é uma incógnita ao país, à oposição e aos próprios governistas, que ainda não encontraram o ponto de equilíbrio para poder afirmar que tudo está dominado. Muito pelo contrário. Desde os momentos iniciais do pós-eleição e com o início do governo de transição, nada ficou claro e, quando se esperava um fato revelador, vinha mais confusão ainda. Indecisão, desmentidos, entra e sai de ministros e os 15 ministérios que viraram 22 não estão convencendo sobre sua real capacidade. Se terão autonomia para agir ou apenas agirão com as bênçãos do líder máximo desse futuro, quase presente governo, o capitão-reformado e presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).
Toda mudança causa apreensão, temor e esperanças, que a maioria daqueles que nele votou tenta demonstrar, mesmo com um pezinho atrás ou as pernas e braços afundados nas expectativas do novo governo. Se é o futuro de todo um país que está em jogo, ninguém deveria torcer contra ninguém, apenas por questões de diferenças ideológicas ou de opinião. O risco de não dar certo não afeta apenas os que nele votaram, mas a todos os outros também, ou seja, é geral e não está apenas no imaginário das pessoas. Portanto, se pode analisar, questionar e criticar, sem que isso seja torcer contra apenas por vaidade ou despeito de derrotado. Mesmo por que nessa contenda não há vencedores e derrotados. Há pessoas eleitas para gerir toda uma nação e não apenas os 57 milhões de eleitores que votaram no presidente que tomará posse na terça-feira, 1º. E que terá que prestar contas aos brasileiros, de norte a sul e de leste a oeste, sem pestanejar.
Para dar certo não basta torcida a favor. É preciso, antes de tudo, a força de convencimento, que só vem com a verdade. Não com mentiras ou mensagens postadas via WhatsApp, entre outras redes sociais.  É preciso lembrar, também, que não se governa por essas ferramentas tecnológicas, mas pela credibilidade que faz da presença física uma obrigação. Que transformam em confiança as ações programáticas. E isso não está acontecendo. Virou um tabuleiro de xadrez, onde cada peça se move à sua livre vontade sem se preocupar com sua verdadeira posição. E, nesse caso, não há resultado positivo possível, a não ser o peão tentando ser o rei, a rainha batendo de frente com o bispo e o cavalo tentando atropelar o peão, para que ele não se aproxime da torre. Quem já jogou xadrez sabe que qualquer indisciplina é inadmissível. Essas 48 horas restantes darão a exata noção para sabermos se vai dar certo ou não. E como será o xeque-mate.

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