É tempo de refletir e propor unidade

É tempo de refletir e propor unidade

Artur Bueno de Camargo
PRESIDENTE LICENCIADO DA CNTA (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA ALIMENTAÇÃO E AFINS)

Refletindo sobre todos os fatos que vêm ocorrendo em nosso país nessas últimas décadas, mais precisamente após a Constituição Federal de 1988, percebemos nitidamente que a classe trabalhadora, num balanço geral, retroagiu em seus direitos e conquistas.
A verdade é que o movimento sindical não tem conseguido unificar as suas ações de forma capaz de conter as imposições do capitalismo e daqueles que estão a serviço do mesmo. Não podemos negar que, com raras exceções, as lideranças sindicais têm trabalhado muito, mas cada um com a sua categoria ou filiados, de forma isolada.
Nesses últimos anos, vêm ocorrendo praticamente um massacre contra a classe trabalhadora. Como um furacão, o Congresso e o Judiciário, com apoio do poder econômico, pisoteiam as representações, com apoio da maioria da sociedade, usando de um artifício que é a desobrigatoriedade do trabalhador em contribuir com sua entidade.
Qual foi a reação do movimento sindical? As entidades que se manifestaram foram abafadas e tachadas pelos grandes meios de comunicação de que o movimento só tinha o objetivo de defender a contribuição compulsória. Chegamos ao processo eleitoral com pouca articulação e, mesmo assim, o movimento sindical e social conseguiu impedir que oitenta por cento dos parlamentares que aprovaram a Reforma Trabalhista se reelegessem, inclusive o relator Rogério Marinho (PSDB-RN).
Não conseguimos, contudo, impedir que a maioria da sociedade elegesse um parlamento mais direitista e conservador que o atual, e o número de parlamentares comprometidos com as causas da classe trabalhadora teve uma significativa redução. O fato é que, a maioria dos eleitores elegeu um presidente que, na sua campanha, manteve a sua postura de trinta anos na vida pública.
Para exemplificar, citamos alguns chavões por ele usados na campanha: “violência se combate com violência”; “o trabalhador precisa decidir se ele quer emprego ou direitos”. Declarou, ainda, ter votado a favor da Reforma Trabalhista, mas que é preciso aprofundá-la; declarou, na campanha, que votou contra os avanços de direitos conquistados para as empregadas domésticas.
Portanto, companheiros e companheiras, ou nós, do movimento sindical, deixamos nossas diferenças de toda natureza em segundo plano para priorizar a nossa unidade, ou nossos representados irão herdar o maior retrocesso na história de nosso país.

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