OMISSÃO IDEOLÓGICA: Limeira não registrou recusa em vacinar

OMISSÃO IDEOLÓGICA: Limeira não registrou recusa em vacinar

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Assim como a maioria dos municípios, Limeira não atingiu a meta de vacinação contra o sarampo e a poliomielite, de 95% preconizada pelo MS (Ministério da Saúde). Vacinou 94% do público alvo contra a poliomielite e perto de 91%, contra o sarampo, ou seja, 12.945 e 12.605 respectivamente.  A expectativa era de 13.044 crianças de um ano a menores de cinco anos vacinadas.  “Se não foi perfeito, pelo menos ficou bem próximo da meta da campanha nacional, com os dois Dias D que fizemos e com a busca ativa em crianças de um ano e abaixo de cinco, nas escolas públicas e do Bolsa Creche”, disse à Tribuna de Limeira o diretor de Vigilância em Saúde, Alexandre Ferrari. Porém, de acordo com ele, os trabalhos para identificar aquelas crianças que ainda não foram vacinadas continua. “E, em dezembro, ainda sem data definida, haverá um dia de monitoramento rápido de cobertura vacinal, através de uma busca ativa por agentes de saúde, para identificar a cobertura de todas as vacinas do calendário oficial e ver como está a sua atualização”, lembrou.  Quanto à busca ativa, foram 400 crianças vacinadas por duas equipes, faltando ainda computar os do Bolsa Creche.
Segundo ele, felizmente, durante todo esse período não houve registro de omissão ideológica à vacina, ou seja, pais que não quiseram vacinar por que acreditam em outras formas naturais de imunização contra as duas doenças. “Não existe outra forma e evitar as doenças, a não ser a cobertura vacinal. Comprovada e atestada cientificamente e com recomendação da OMS [Organização Mundial da Saúde], OPAS (Organização Pan-americana de Saúde) e do próprio MS”, explicou Ferrari. O diretor da Vigilância em Saúde destacou à Tribuna, que o poder público tem a sua missão, que é disponibilizar as vacinas e fazer a imunização, mas pais e mães têm também a obrigação de manter a carteira de vacinação em dia e buscar os 16 pontos de vacinação no município, que são 15 em UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e mais a Vigilância Epidemiológica. “É preciso lembrar que são doenças gravíssimas e podem levar à morte. Não temos registro, ainda, de novos casos de poliomielite, mas o sarampo já voltou. As doenças não foram erradicadas, mas estão, ou estavam controladas”, afirmou.
Alexandre Ferrari disse, também, que quando há resistência em vacinar, o Conselho Tutelar pode ser acionado, inclusive o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), da Infância e Juventude. “O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) trata disso, lembrando da obrigação da manutenção do calendário vacinal em dia”, destacou. Para ele, a impressão é que os novos pais, nascidos nas décadas de 1980 e 1990, por não terem presenciado a gravidade das doenças e suas consequências, deixaram de se preocupar com isso. “Além disso, quanto mais se vacina, mais o bloqueio é efetivo, ou seja, atinge também as pessoas que não se vacinaram por algum motivo. É o individual na proteção do coletivo e é isso que precisamos agora, daí o aumento de 80% para 95% da cobertura vacinal”, finalizou.

NOVOS CASOS
Segundo nota divulgada pela Agência Brasil, na quarta-feira, 24, o Brasil já tem 2.425 casos de sarampo e casos confirmados também em São Paulo, três ao todo. São dois mil no Amazonas e 332 em Roraima e os dois estados registram, ainda, 7.647 casos em investigação. Rio de Janeiro, 19 casos, Rio Grande do Sul, 43, Rondônia, 2, Pernambuco, 4, Pará, 17, Distrito Federal, 1 e Sergipe, 4, completam os números, que registram também 12 mortes por sarampo confirmadas.

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