Senso&Consenso: O primeiro ficou para trás; não deu!

Senso&Consenso: O primeiro ficou para trás; não deu!

Festa armada em um hotel próximo ao condomínio onde mora e a certeza de que levaria a eleição de primeira. Cenário perfeito para o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), após o término do pleito em primeiro turno. Não deu. Faltou Bolsonaro combinar com Haddad (Fernando Haddad), o presidenciável do PT, e os eleitores que não o querem no Palácio do Planalto, no dia primeiro de janeiro do ano que vem. Aos poucos as coxias se esvaziaram e no primeiro pronunciamento, transmitido em “live” pelas redes sociais –, ele destilou seu veneno, culpando as urnas eletrônicas pela sua derrota – prefiro chamar de vitória parcial –, argumento que fez muita gente, durante todo o dia de votação, entrar nessa canoa furada chamada fraude. Afundaram junto com seus argumentos.
Vociferou contra o ativismo, mostrando sua principal característica: a falta de sobriedade política para quem quer ocupar um cargo, ao qual pleiteia. Falta-lhe, principalmente, a boa educação de quem quer ser um presidente da República. O voto do dia 28 pode levar qualquer um dos dois à rampa tão sonhada. Está mais fácil para Bolsonaro, mas contra ele pesa um detalhe, que pode tirá-lo facilmente da disputa, fazendo-o sucumbir na própria urna, que tanto critica. Esse detalhe chama-se discurso. E ele terá, nesse curto espaço de tempo, que começou na sexta-feira, 12, e vai até o próximo dia 26, 15 dias, portanto, os mesmos minutos que Haddad. Ou seja, terá que se expor e a seu discurso, que ele não consegue disfarçar, transpira intolerância e raiva contra seus adversários, a quem trata como inimigos. E contra todos aqueles que não concordam com suas ideias. E na primeira entrevista ao vivo, concedida ao Jornal Nacional, da Globo, na última segunda-feira, 8, ele voltou a mostrar a faca entre os dentes. Voltou-se contra seus assessores mais próximos, demonstrando seu autoritarismo e que ele não vai, com certeza, dividir nada com ninguém. Subjugará toda sua equipe às suas vontades.
Se participar de debates, então, pode derreter como gelo em asfalto quente. Mas já adiantou que vai se o médico permitir. Portanto… Tudo, entretanto, é imprevisível. Não há assertiva possível. Se conseguir mudar o discurso, aliviar o ódio e a intolerância da face, demonstrando afirmativamente essas reações, e guardar as armas que tanto ama, aí é outra história. Situação quase improvável para um Bolsonaro. Mas isso é só o começo. No pós-segundo turno voltarei com um novo artigo. Esse, com certeza, bastante revelador. Vamos aguardar.

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