FILA EM BANCOS: Usuário pede mais pessoas denunciando

FILA EM BANCOS: Usuário pede mais pessoas denunciando

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Apesar da lei que de 2000, na gestão do então prefeito Pedrinho Khül, à época no PSDB, os usuários de agências bancárias continuam reclamando de constantes atrasos no atendimento. A legislação, que obriga o cliente ser atendido em até 20 minutos em dias normais e em até 40 minutos em vésperas e pós-feriados, apesar de já ter completado maioridade, ainda é motivo para muitas reclamações. Como a de um cliente que entrou em contato com a Redação da Tribuna de Limeira e não terá sua identidade revelada, reclamando de dois atendimentos pelos quais passou, que o levou a fazer duas denúncias na prefeitura, com base na lei, mas que de acordo com ele de nada serviu. “Os usuários precisam denunciar mais e mais, por que os bancos continuam agindo da mesma forma e sem o mínimo respeito pela população”, afirmou.
Segundo esse cliente, para fazer a reclamação ele se baseou em outra matéria, também da Tribuna, publicada em maio, que mostrava que a prefeitura havia lavrado 35 multas contra instituições bancárias, em 2017, “mas é um número fora da realidade da situação”, uma vez que ele acredita que o número de infrações foram muito maiores. À época, a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), afirmou à Tribuna que investia em tecnologia e colocava à disposição do usuário muitos serviços de autoatendimento e pela internet, além de fazer um trabalho constante para diminuir essa demora. Na questão da demora, propriamente dita, a Febraban nada falou. Já o Sindicato dos Bancários, também naquele período, lembrou que é uma luta antiga da entidade, que pede a contratação de mais caixas, para atender dignamente os usuários e clientes, que não têm acesso aos canais eletrônicos e virtuais disponibilizados pelos bancos. De acordo com o sindicato, os bancos, entretanto, estão cada vez mais imbuídos de jogar o usuário para o atendimento eletrônico.

MUITA GENTE
O usuário contou, também, duas experiências que teve em fila em banco, uma de mais de uma hora e uma fila imensa, que na hora que chegou sua vez continuava do mesmo tamanho, e outra de quase quarenta minutos, em dias normais, que o caixa simplesmente respondeu “tem muita gente para atender”. Para ele, os bancos não cumprem a lei de espera e é preciso motivar a população a denunciar. “Eu denunciei duas vezes, mas se outros o fizerem, a multa vai aumentando e deve, com certeza, abrir os olhos do bancos”, afirmou. Ele disse, ainda, que já reclamou com os vereadores, “mas isso não adianta; é preciso esclarecer mais a sociedade sobre seus direitos e que se todos reclamarem, com certeza a situação pode mudar”, finalizou.
A reportagem da Tribuna procurou a prefeitura, que disse que neste ano de 2018 foram realizadas cinco ações de fiscalização em estabelecimentos bancários. De acordo com o secretário da Fazenda, José Aparecido Vidotti, a lei municipal estabelece que o usuário apresente no Serviço de Fiscalização, a senha do atendimento para fazer a queixa. “Até o momento, neste ano de 2018, apenas um munícipe fez queixa formal no setor”, finalizou Vidotti.
A Febraban foi procurada pela Tribuna novamente e, da mesma forma, afirmou que os bancos associados realizam um trabalho constante para reduzir o tempo de espera para atendimento nas agências bancárias. “Seja se adequando às leis municipais ou estaduais que determinam o tempo de atendimento, ou estipulando tempos máximos para atendimento por meio de seu programa de autorregulação nas localidades onde não há lei específica para o tema”, informou.

“Pouca gente para atender nas agências bancárias”

A Tribuna procurou, também, o Sindicato dos Bancários de Limeira e conversou com a presidente da entidade, Ana Lúcia Ramos Pinto, que disse que o problema é o mesmo de sempre: falta de trabalhadores para atender o cliente. “A falta de funcionário é proposital, para induzir o cliente a utilizar o caixa eletrônico e o autoatendimento através de aplicativos para computadores e celulares, fazendo com que cada vez menos ele procure o espaço físico da agência”, explicou Ana Lúcia. Ainda de acordo com ela, o sindicato praticamente não recebe queixas, por que os clientes procuram a prefeitura ou na maioria das vezes não procuram e não reclamam com ninguém. “O que é preciso fazer é procurar a Ouvidoria do banco, reclamar e, quando receber uma ligação do call center, dizer o que está acontecendo, senão eles vão achar que estão sempre certos e o cliente satisfeito”, lembrou a sindicalista
Segundo ela, em dias normais nem há tantos problemas, mas nos dez primeiros dias de cada mês se percebe que a situação é crítica. “Antes, tínhamos até dez caixas atendendo; hoje são dois ou três. E, mesmo no autoatendimento, é preciso funcionário para ajudar o cliente e também evitar os tradicionais golpes. Mas o cliente deve, sim, quando tiver problema, reclamar e não ter medo de dizer a verdade”, finalizou. (Antonio Claudio Bontorim)

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