Artigo: Desafios da gestão municipal

Artigo: Desafios da gestão municipal

Glaucio Neves
Diretor Macroplan

Estudiosos apontam o século XXI, como o século das cidades.  Há boas razões para isso. São os municípios bem geridos e economicamente competitivos que permitem o desenvolvimento de um país.  No Brasil, os últimos anos, contudo, não foram fáceis para as prefeituras. O cenário econômico inviabilizou investimentos em grande parte das cidades e a boa gestão passou a ser cada vez mais cobrada pela sociedade, que aumentou a pressão aos administradores municipais para que os limitados recursos possibilitassem entregas de serviços de qualidade.
Os gestores municipais orientados para as cidades do futuro terão que solucionar problemas de eficiência, adaptando-se as tendências dos novos tempos, decorrentes da expansão da economia digital, da hiperconectividade, da ascensão da economia compartilhada, dos novos hábitos de consumo e do aumento da longevidade da população.
Em síntese: é preciso entregar mais, com menos recursos, adaptando-se aos novos padrões tecnológicos e de comportamento.
O estudo Desafios da Gestão Municipal, desenvolvido pela Macroplan, é particularmente útil na definição de estratégias e na solução de problemas da gestão municipal.  A pesquisa analisa uma cesta de dados públicos em quatro áreas estratégicas – saúde, educação, segurança e saneamento e  sustentabilidade –  nas 100 maiores cidades do Brasil. Ao promover a comparação entre elas, é possível entender onde estão as maiores dificuldades e os principais avanços nas cidades. E os casos de sucesso podem servir de exemplos como inspiração – uma forma de ganhar tempo e poupar recursos.
Limeira é um dos municípios que poderá inspirar outras cidades. No estudo de 2018, é a  6ª melhor posicionada  entre as 100 cidades analisadas. A área em que a cidade tem melhor posição é saneamento e sustentabilidade (4ª posição). As posições nas outras áreas são: 8º em segurança; 12º em educação e 22º em saúde.
Na comparação com 20 municípios similares em termos de complexidade de gestão e disponibilidade de recursos, Limeira está em primeira colocação. Embora não lidere  em todos os indicadores, tem destaque na universalização do tratamento do esgoto e, na área de segurança, na baixa taxa de homicídios. Com uma taxa de homicídios de 6 por 100 mil habitantes, o município tem a menor taxa do seu grupo de comparação e a terceira menor entre os 100 maiores municípios.
Mas o município também deve buscar inspiração em outras cidades que  apresentaram resultados superiores em educação e saúde, por exemplo. A cidade tinha o terceiro maior índice de qualidade do ensino fundamental II (IDEB) da rede pública em 2007, mas, apesar do avanço na década, foi ultrapassado por outras cidades, ficando 16ª entre os 100, em 2017. Na área de saúde, o município tem a sétima menor taxa de mortalidade infantil entre os 100, mas não tem boa colocação no indicador de mortalidade prematura por doenças crônicas (52ª posição).
Cada cidade precisa desenvolver sua própria estratégia bem como elencar as prioridades a serem enfrentadas, mas a cooperação com todas as partes da sociedade e também entre as esferas governamentais é essencial para o sucesso da gestão.

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