Senso&Consenso

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Fake news e desinformação

É difícil saber o que tem sido pior nesses dias em que as redes sociais dominam como meio de informação, analisando-se o contexto sem enxergar o todo. A ampla divulgação das chamadas fake news, ou a desinformação de muitos comunicadores, que não buscam se inteirar dos fatos antes de analisa-los ou simplesmente transmiti-los aos seus leitores, ouvintes e telespectadores estão nessa pauta. Fake news são as notícias falsas, que tantos danos causam à comunicação e às pessoas envolvidas na sua disseminação, muitos inocentes úteis, que na ânsia de acreditar que o fato é verdadeiro, acabam por divulga-lo. Já a desinformação é um alinhamento de vários fatores, como ignorância, incompetência ou mesmo preguiça em pesquisar sobre o tema que se vai abordar. Diferente das notícias falsas, a desinformação pode ter um efeito mais nocivo ainda, por que vem na credibilidade do meio de comunicação ao qual o comunicador, o jornalista, está ligado. Então acaba por virar fato consumado, mesmo não o sendo.
Tenho acompanhado inúmeros programas da mídia eletrônica, misto de jornalismo e variedades, além de outras tradicionais e do impresso também, e a frequência com que se nota a desinformação é maior do que se imagina. Dados imprecisos e muitas vezes incorretos e escorregões na matemática, quando o fato é temporal, confundindo períodos, sem saber o que se está falando. A primeira lição, quando se frequenta uma escola de jornalismo é que é preciso estudar o assunto antes de procurar a fonte. É preciso conhecer e contextualizar a informação e sua relação com essa mesma fonte, antes de sair com a cabeça cheia de ideias, mas vazia de conteúdo no momento da abordagem sobre o tema que se vai falar. O máximo de conhecimento que se busca antes dessa abordagem é fundamental para que a desinformação não tome o lugar da verdade e a notícia vire meia notícia.
Pode-se afirmar que a rapidez com que se trata a informação, hoje, e sua obrigatória divulgação, não condizem com o tempo de se informar antes. A pressa em sair na frente e virar o dono da notícia aniquila a importância da correção e veracidade do fato. Melhor, então, é não informar, mas poucos pensam e agem dessa maneira. Ainda é assunto para muito debate nesses tempos de comunicação em tempo real, mas se ignora essa regra. Noticia-se antes e corre-se atrás da informação depois. Simples, porém desastroso. Apesar de andarem juntas, fake news e desinformação não têm nada em comum. A primeira é falsa pela própria natureza. A segunda vem com assinatura e firma reconhecida pela arrogância daqueles que acham que entendem de tudo. Mesmo que não saibam de nada.

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