Editorial

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Pedra e vidraça

O sistema político brasileiro permite com indiscutível facilidade, que um político passe de vidraça a pedra, sem corar. Sem o mínimo pudor, após ter sido vidraça e ser estilhaçado com as pedras atiradas. A troca de pedradas é, normalmente, utilizada com força desproporcional, para quebrar mesmo, e até mesmo com suavidade necessária para apenas assustar. Essa situação é mais visível na esfera municipal, onde a postura política deixa de lado as sutilezas, um passado recente e comprometido com as exceções às regras, para dar uma dinâmica moralista, quando justamente faltou essa moral e transparência, quando ela era necessária.
Que atire a primeira pedra quem não tiver pecados, diz uma conhecida passagem bíblica, quando ninguém ousou apedrejar uma prostituta, após uma incitação, para mostrar que é preciso se autoconhecer antes de julgar. Seria pedir demais, que um político tivesse autoconhecimento suficiente para lembrar daquilo que foi e de que como se apresenta hoje? Não deveria, mas isso acontece com tamanha regularidade, que o passado fica no esquecimento, quando se deseja pregar a moral que não se teve. Como estamos em ano eleitoral, embora em espectro mais amplo do que o municipal, é dos municípios que saem os candidatos, que pretendem nos representar.
É nesse ponto que o eleitor deve ter a plena consciência para poder discernir entre a pedra e a vidraça. E lembrar que muitos dos que apontam suas atiradeiras para a janela alheia hoje, já tiveram as suas próprias quebradas e os cacos ainda nem foram juntados. Em muitos casos nem há como juntá-los, por que foram reduzidos a quase pó. Teremos muitas pedras com seus nomes nas urnas em outubro.

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