Editorial

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Por que parou?

Esta é um pergunta que muita gente fez e continua fazendo sobre a greve dos caminhoneiros e os bloqueios nas principais estradas brasileiras, que assustou e causou indignação. Em princípio, o que parecia um movimento justo – e teve até certo apoio da população e outras categorias, como aqui em Limeira dos produtores rurais – aos poucos foi se perdendo na via política e se desgastando com pedidos que nada tinham a ver com a categoria. Entre eles a intervenção militar, que virou mote para tentar derrubar o presidente Michel Temer (MDB), mesmo estando ele para lá de derrubado e completamente desautorizado em sua autoridade.
Via política obscura, diga-se, que assustou até mesmo o pré-candidato do PSL, o ultradireitista e ex-oficial do Exército, hoje deputado Jair Bolsonaro, que correu à mídia tentar desvincular seu nome dos protestos. Já não importava mais o tamanho e a alcance do movimento, nem mesmo as reivindicações justas dos caminhoneiros, pois estes se tornaram reféns de seus próprios colegas (os mais exaltados) ou se sabe lá de quem, àquela altura infiltrado no movimento, que mesmo após os primeiros acenos da capitulação do governo, não arredavam pé e nem deixavam que quisesse sair de onde estavam, pelo menos para retornar para casa. A pergunta então tomou outro significado: por que parou? Parou por que, se o governo já cedera e líderes da categoria, depois descobertos militantes políticos também, já tinham concordado em encerrar a paralisação?
A verdade de momento nos remete a outros questionamentos e reflexões que vão além de um movimento paredista e reivindicatório. Extrapola a boleia do caminhão e entra na contramão da história, como o movimento acéfalo mais organizado que se pode imaginar. É isso que assusta se levarmos em conta a sincronia com que foi mantido até o seu final (?). Por que parou? A resposta ainda está no ar.

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