DESABASTECIMENTO: Semana atípica e muita fila em postos

DESABASTECIMENTO: Semana atípica e muita fila em postos

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Com um feriado de Corpus Christi no meio, comemorado na quinta-feira, 31, Limeira viveu uma semana atípica, provocada pela greve dos caminhoneiros, mas que na quarta-feira, 30, já dava sinais de normalidade, quando alguns postos de combustíveis começaram a receber o produto. Com trânsito tranquilo e até mesmo vagas no estacionamento rotativo da Hora Park e pouco movimento dos ônibus urbanos – frota circulou 50% para garantir o transporte – a cidade experimentou uma inédita tranquilidade, principalmente àqueles acostumados com a correria do dia-a-dia.
Na quarta-feira, 30, os postos percorridos pela reportagem da Tribuna de Limeira registravam filas que chegavam a dobrar quarteirões e, em algumas delas, os mais exaltados se manifestavam sempre que alguém tentava furá-las.  Além de alguns casos, onde manifestantes tentaram impedir o abastecimento. Na quinta-feira, 31, o feriado, postos que receberam combustíveis tinham filas menores, “cujo tempo de espera chegava a 15 minutos”, disse um cliente que acabara de encher o tanque. Na sexta-feira, 1º, pela manhã, os postos que dispunham de combustíveis, já registravam movimento menor. O gás de cozinha também foi outra preocupação da população. O que chega se esgota rapidamente e a normalização segue indefinida, conforme constatou a Tribuna junto a distribuidoras.
A movimentação dos caminhoneiros, que começou a dar sinais de enfraquecimento na segunda-feira, 28, à noite, depois de dez dias de paralisação, continuou se desmobilizando aos poucos (com resistência ainda de alguns bloqueios), provocou um misto de alívio, mas ainda apreensão, de acordo com algumas pessoas com que a Tribuna conversou ao longo da semana, os últimos dias de maio e início do mês de junho. Boa parte daqueles que foram ouvidos apoiava a greve, porém não entendiam por que ela não encerrava, à medida que o governo foi aceitando as condições dos caminhoneiros, cedendo até ao último pedido. “Se o governo aceitou as reivindicações, por que não volta ao normal”, disse um senhor que não quis se identificar, revelando que em princípio achou justo o movimento, mas começava a duvidar de suas intenções. Já uma jovem, que também falou à reportagem, disse que o governo já deveria ter agido no início e “usado as forças de segurança para garantir quem quisesse prosseguir viagem”.
Os supermercados, por sua vez, a maioria dos visitados pela Tribuna, não mostrou um desabastecimento mais sério, mas muitos preços, em especial do segmento hortifrutigranjeiro tiveram elevação acima da média e queda na qualidade do produto. “Mais à frente muitos desses produtos devem sofrer uma alta de preço maior ainda”, disse um setorista de um supermercado de Limeira, que pediu para não ser identificado. “Como vamos entrar no inverno e alguns desses produtos sofrem com o frio e a estiagem, agora com a falta de transporte, os preços podem até disparar”, lembrou.

OUTROS SETORES
O Ciesp/Fiesp (Centro das Indústrias e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) de Limeira, através de seu diretor titular, Jairo Ribeiro Filho, disse à Tribuna que o desabastecimento afetou muito a economia e as indústrias não só de Limeira como da região e do país. “Muitas empresas precisaram paralisar totalmente suas atividades por mais de um dia no município”, disse. Ele lembrou que reconhece a reivindicação como justa e é importante destacar que o pleito foi legitimo no primeiro momento, mas agora todo esse apoio que houve foi mal aproveitado após movimentos políticos se infiltrarem na greve.
Segundo ele, é preciso retornar as atividades, pois a situação é gravíssima. “Muitas empresas não tiveram como escoar seus produtos e ficaram com grandes estoques, sem ter onde colocar. Outras não tinham como produzir, pois, precisavam receber matéria-prima que estavam paradas nas paralisações”, lembrou, dizendo que faltou GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), usado em empilhadeiras, além disso, faltou gás e gasolina para alimentação e transporte de funcionários. “Todos os setores foram afetados em Limeira, a indústria sendo afetada, acaba afetando o comércio e setor de serviços. Não há setor que sobreviva nessa situação. Preocupa-nos outro fator, que são as demissões num momento em que as empresas tinham expectativa da retomada dos empregos e algumas podem até quebrar”, analisou.
A Acil (Associação Comercial e Industrial de Limeira) disse, na quarta-feira, 30, que esperava que tudo acontecesse a bom termo e que o movimento se encerrasse de forma pacífica.


Diocese apoiou movimento, mas mostrou preocupação

Na terça-feira, 29, a Diocese de Limeira também emitiu uma nota, solidarizando-se com os caminhoneiros e suas justas reivindicações por melhores condições de trabalho, mostrando, entretanto, “preocupação com a conjuntura atual e o futuro da política nacional que acarreta não somente este, mas outros problemas sociais”. Assinada pelo bispo, presbíteros e diáconos, a nota distribuída pela assessoria de imprensa da Diocese, dizia que o “momento pede reflexão e ações que despertem nosso comprometimento e luta pela justiça, através de um diálogo honesto e respeitoso que promova a dignidade e a paz”. A nota destaca que as formas de manifestações e paralisações são oportunas para salvaguardar a dignidade e a liberdade da pessoa humana, contribuindo para a construção de um país mais justo e solidário, junto com as melhores soluções e respostas para salvaguardar a democracia, o bem comum e o direito dos mais injustiçados, superando o egoísmo, a ganância, os interesses pessoais, a fim de restaurar a harmonia social. (Antonio Claudio Bontorim)

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