Senso&Consenso

Senso&Consenso

O perigo não é vermelho. E não tem cor

Impressionante como os sinais da guerra-fria, que marcou a história mundial entre os anos 1947 e 1991, quando EUA e a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), ou simplesmente a Rússia de então, estão de volta, mas sem conflitos de ordem política, militar, social e tecnológica. E muito menos trazendo de volta a batalha entre os próprios EUA e agora Rússia de fato, a não ser as trocas de acusações entre Trump e Putin, dois grandes paspalhões da política internacional. A batalha agora é local. Trava-se no Brasil pelas redes sociais, entre a direita e seu desconhecimento histórico – alguns até o tem – e os comunistas (um termo está na moda nas discussões), como se fosse um grande palavrão.
Vale lembrar, também, que a guerra-fria era muito mais de propaganda político-ideológica, do que qualquer outra coisa. Seguidores dos soviéticos (como eram chamados) sempre de bem com a foice e o martelo e os seguidores dos norte-americanos exaltando a liberdade do ocidente, sempre rebatendo, por teorias conspiratórias, o perigo vermelho. Com dedos da CIA, a agência de espionagem americana, países da América Central e Latina foram persuadidos a combater essas invasões da ideologia socialista a qualquer custo, inclusive com tortura e mortes. Muitas mortes. E eis que a discussão volta à tona. “Você é comunista, ‘comedor de criancinha’ e quer dividir meu quarto em dois, ocupar metade da minha piscina”. Era assim mesmo que a propaganda do ocidente (leia-se EUA) tratava o outro lado do Planeta, inclusive com versões hilárias das teorias marxistas.
E assim as discussões caminham e até mesmo perseguições e delações estão em curso (sim, é verdade e eu tenho uma prova fática disso), como se aliviasse o medo daqueles que se insurgem com o perigo vermelho. E olha que tem muita gente inteligente e de formação acadêmica, participando dessa nova guerra-fria. Palavras de ordem dos tempos da ditadura militar fazem a alegria dos medrosos, que temem por uma invasão chinesa por aqui (bom lembrar que faz tempo que invadiram, mas com seus produtos baratos, e não com sua ideologia). É mais hilário ainda, se não fosse até mesmo trágico, por que nos remete à ignorância em último grau, ver internautas tratando Cuba como se fosse um perigo maior ainda e, principalmente, achando que vão ofender alguém, mandando para aquele lugar, ou seja, Cuba. Voltamos desgraçadamente aos anos 1960-1970, lendo e ouvindo tanta besteira reunida num só espaço. Onde cada um coloca suas neuroses para fora.
Minha sugestão: é bom olhar sempre para debaixo da cama antes de dormir, para ver se não tem um comunistinha à espreita. Se tiver, convide-o para um drink. Pode ser vodca, rum ou o huangjiu. Saúde!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*