FILA EM BANCOS: Usuários voltam a criticar longa espera

FILA EM BANCOS: Usuários voltam a criticar longa espera

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Usuários e clientes voltaram a reclamar das filas para acesso no interior de algumas agências bancárias em Limeira. Principalmente aqueles que dependem do serviço na boca dos caixas e retiram suas senhas para serem atendidos. A irritação está por conta da falta de cumprimento de uma lei municipal, que obriga as agências a atenderem em no máximo 20 minutos em dias normais e em até 40 em vésperas e pós-feriados. Um cliente, que entrou em contato com a Tribuna de Limeira e pediu para não ser identificado, disse que ficou mais de uma hora com a senha na mão para ser atendido na agência da CEF (Caixa Econômica Federal) da Boa Vista. A lei em questão é a 3.167/2000, de 12 de abril de 2000, sancionada pelo então prefeito Pedrinho Kühl (PSDB) e alterada em 2007, para mudar a unidade padrão de multa, de Ufir (Unidade Fiscal de Referência), para Ufesp (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo).
Segundo esse cliente da agência, é até mais difícil fazer a reclamação na prefeitura, por que você vai enfrentar outra fila. E, de acordo com ele, tem que pedir para o atendente do banco carimbar a senha com o horário que você foi atendido e daí procurar o Poder Público. Apesar de todas as ferramentas, internas e externas, que as agências oferecem hoje como suporte ao cliente, ainda tem muita gente que depende do atendimento na chamada “boca do caixa” e são essas pessoas que mais dificuldades têm e enfrentam esses atrasos nas filas especialmente nos dias entre os benefícios dos aposentados e de pagamento de salários.
A Tribuna procurou a Prefeitura de Limeira para saber sobre o cumprimento da legislação, fiscalização e multas aplicadas. De acordo com o Setor de Fiscalização da Prefeitura de Limeira, ela é planejada mediante a demanda de reclamações dos usuários. A lei prevê que o usuário deve se dirigir ao setor, com a senha que comprova o descumprimento do tempo de espera e é feita com base no tempo que ultrapassou o limite legal daquele dia. “Os valores da multa estão fixados em Ufesp (R$ 25,70 para 2018). Se o atraso for de até 10 minutos, R$ 257,00 (R$ 25,70 X 10); de 11 até 20 minutos: R$ 385,50 (R$ 25,70 x 15) e assim sucessivamente”, explicou a Secretaria da Fazenda. Ao longo de todo ano de 2017 foram 35 autuações, sendo10 multas até abril e, no mesmo período desse ano, já foram 12 multas aplicadas.

INVESTIMENTOS
Procurada pela reportagem da Tribuna, a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) respondeu, através de sua assessoria de imprensa, que a preocupação central dos bancos é com o melhor atendimento possível e que investe muito nisso, principalmente nos PABs (Postos de Atendimento Bancários) e PAFs (Postos de Atendimento Eletrônico). “Em 2017, o total das despesas e investimentos em tecnologia somou R$ 19,5 bilhões”, disse a Febraban. A entidade afirmou, ainda, que os bancos realizam um trabalho constante para reduzir o tempo de espera para atendimento nas agências bancárias, lembrando que o cliente tem opções para fazer transações bancárias, diminuindo a necessidade de se recorrer às agências.
Entre as opções apresentadas pela entidade estão a internet e demais ferramentas virtuais, correspondentes bancários, débito em conta corrente, terminais de autoatendimento, entre outros. “Se for inevitável ir às agências, optar pelos dias de menor movimento, como finais de mês, e evitar o horário de almoço”, afirmou, explicando “que a maior parte das operações realizadas no caixa das agências pode ser feita por outros canais, com toda comodidade e segurança e que os canais físicos vem perdendo participação como canal de atendimento”.
Sobre a questão da demora nas filas, a quem precisa ir às agências, a Febraban não fez, entretanto, nenhum comentário.

BRIGA ANTIGA
A Tribuna conversou, também, com a presidente do Sindicato dos Bancários de Limeira, Ana Lúcia Ramos Pinto, que disse que essa é uma luta antiga da entidade, que há muito pede a contratação de mais caixas, para atender dignamente os usuários e clientes, que não tem acesso aos canais eletrônicos e virtuais disponibilizados pelos bancos. De acordo com ela, os bancos estão cada vez mais imbuídos de jogar o cliente para o atendimento eletrônico (caixas, internet banking, aplicativos de celulares), mas se esquecem daqueles que não têm condições para isso. “Os bancos disponibilizam de poucos caixas físicos, forçando os clientes a migrarem para o atendimento eletrônico, o que não concordamos”, disse Ana Lúcia.
Segundo ela, com a nova lei que ampliou o horário de atendimento ao público em meia hora (projeto do vereador Nilton Santos, do PRB, aprovado na Câmara, cuja lei já foi sancionada pelo prefeito Mario Botion, do PSD), as agências vão precisar de mais funcionários e essa é uma nova luta do sindicato. “Com o início da campanha salarial, vamos reforçar essa luta, para que todos tenham um atendimento de qualidade e, principalmente, para que os bancos públicos, como Caixa (Econômica Federal) e Banco do Brasil, abram novos concursos para contratação de pessoal”, finalizou Ana Lúcia.

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