ALZHEIMER: Falta política pública a pacientes

ALZHEIMER: Falta política pública a pacientes

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Não há dados específicos sobre casos do Mal de Alzheimer em Limeira por que a notificação não é compulsória, mas estima-se que, no mundo, são em torno de 35 milhões de pessoas, das quais 1,5 milhão no Brasil. A informação é do médico-geriatra e vereador em Limeira, Marcelo Rossi (PSD), autor da Lei 5.833/17, que ficou conhecida como Lei do Alzheimer e está sendo referência para o Estado e deve chegar à referência nacional também. Rossi concedeu entrevista à Tribuna de Limeira, na qual falou sobre a doença e o que é necessário para um atendimento de qualidade às pessoas que são diagnosticadas com o problema e também às suas famílias. “Diferentemente em relação à dengue e outras doenças, por exemplo, a notificação junto à Secretaria Municipal da Saúde não é obrigatória, pois faltam políticas públicas para isso”, disse.
Segundo ele, em 2017 ele fez um requerimento à prefeitura, obteve alguns números, mas não correspondem à totalidade, pois não incluem a rede privada ou outros serviços públicos, exceto o PAD (Programa de Atendimento Domiciliar). “O atendimento é prestado por equipes multiprofissionais da própria rede. Mas não há, por exemplo, geriatras e gerontólogos no serviço público e o número de profissionais que compõem o quadro, como neurologistas ou psiquiatras, é incompatível com a necessidade”, afirmou.

PERFIL DO PACIENTE
Ainda de acordo com ele, esse perfil de paciente necessita de uma equipe multidisciplinar de apoio para um atendimento individualizado e humanizado. Os dados apresentados pelo médico, entretanto, referem-se a 2017. “Em 2017 eram atendidos 552 pacientes, que buscavam seus medicamentos na ARE (Ambulatório Regional de Especialidades) do Estado, através do fornecimento de Alto Custo como o Donepezila, Rivastigmina e Galantamina”, comentou.

POLÍTICAS PÚBLICAS
Em Limeira, de acordo com Rossi, os pacientes são atendidos inicialmente pelo clínico geral nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), quando muito há casos em que são feitos encaminhamentos para neurologistas, seguido da medicação. “O que se pretende com a Lei do Alzheimer é justamente a criação destas políticas, com ênfase primeiramente para a implantação do teste para o diagnóstico em fase inicial, o que é decisivo para o controle da evolução da doença e qualidade de vida dos pacientes”, lembrou, afirmando que não há atendimento específico para o paciente, mas não se pode esquecer que “em Limeira existe a ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer), que oferece esclarecimento e assistência a cuidadores e familiares por meio de grupos de apoio”. Para ele, a principal forma de prevenção é a informação, por meio de palestras campanhas educativas e criação de centros de idosos adequados para estimular a capacidade cognitiva, intelectual, física e social. “Isso permite prolongar melhor a vida do idoso, retardando a progressão da doença”, finalizou.

Números mostram progressão da doença

O médico e vereador disse que para as próximas décadas, para cada três idosos acima dos 60 anos, um desenvolverá a doença e, a cada três segundos um idoso desenvolve um tipo de demência no mundo. A idade é o principal fator para isso, além de outros como baixo grau de escolaridade e intelectualidade. “Apenas 5% e 10% podem ter características hereditárias. “Diabetes, hipertensão, obesidade, uso abusivo de bebida, depressão, ansiedade, noites mal dormidas, uso abusivo de medicamentos, também podem contribuir”, analisou. Para ele, mulheres na terceira idade são mais ativas em todos os sentidos e, por isso, se previnem mais que os homens.
Os primeiros sintomas da doença são a perda da memória recente, com um declínio da cognição, ou seja, capacidade de pensar, executar, planejar e realizar. “O paciente não lembra após poucas horas o que fez ou o que comeu, começa a ficar repetitivo, esquece lugares que já visitou, esquece nomes, começa a encontrar dificuldade para desempenhar atividades básicas da vida diária, com diminuição da própria atividade funcional”, comentou, para completar: “atividades físicas, dieta saudável e atividade intelectual intensa ajudam na prevenção”. Rossi concluiu, dizendo que testes para diagnosticar a doença começam a ser desenvolvidos, porém estão em fase experimental, mas no futuro poderão atuar para descobrir a doença de forma precoce”, concluiu. (Antonio Claudio Bontorim)

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