Senso&Consenso

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O horror da intolerância gratuita

Episódios de intolerância frustram, cada vez mais, a prática intencional de uma convivência sadia e de respeito entre as diferenças. E o mais recente deles, a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), é o exemplo. Diferenças que fazem parte da espécie humana, desde os primórdios de sua existência e evolução até o Homo sapiens, que o diferenciou dos seus parceiros animais. E, de tempos em tempos, esses episódios surgem com força, a ponto de pessoas – muitas delas bem formadas, de alta escolaridade e cultura avançada – deixarem de lado o pudor, para escarafunchar a vida pessoal, política e profissional de seus semelhantes, somente por que há um pensamento diferente, um modo de agir despojado e uma preocupação com o ser humano, enquanto ser humano, e não apenas como manequim de boutique, para fazer número ou ser mostrado nas vitrinas das desigualdades, que justamente esses detratores não aceitam como verdades, fundamentados por ideologias fascistas – que evoluem tanto para a direita como para a esquerda.
Impressionam os argumentos, as definições e os juízos de valores, que desmerecem a própria raça humana, que se desintegra a cada dia no preconceito, no ódio e na raiva gratuita, que chegaram forte a setores da sociedade brasileira. Sem exclusividade de ser apenas por aqui, já que estamos vivendo um momento delicado e de uma luta insana. Impressiona as mensagens e comentários pelas redes sociais, hoje o termômetro dessa barbárie, cujo único fundamento não tem nada a ver com a vida, mas com a prática exclusiva do menosprezo com a vida alheia. Comparações de mentes doentias, cuja empatia se assemelha a de psicopatas, hoje travestidos de gente do bem, cuja única preocupação é o desmerecimento do outro, só por que o outro pensa diferente. Máquinas de pensamento linear, que não conseguem a devida visão lateral, por que o seu umbigo ideológico está acima dos outros.
E a falta de argumentos desses discursos é tão visível, que o debate não consegue ir pelo bom e velho civilizado nível, acabando sempre em ofensas ou, então, na disseminação das chamadas fakes news, as falsas notícias, que são o prato cheio dos plantonistas da ignorância. Não se trata de defender ideologias ou comportamentos, mas sim de saber se comportar com decência e humanidade. É o que está faltando à boa parte dessa gente do mundo digital.

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